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30/10/17

Quando se ama loucamente

 © Isabel Pinto | Aldina Duarte, 2017


"A água e o ar. E é isso que sou a cantar."

Aldina Duarte

01/07/15


Aldina Duarte | Romance(s), 2015


«Vivo já fora de mim» dizia Santa Teresa de Ávila. Viver fora de si, por estar mais além de si mesmo. Viver disposto ao voo, pronto para qualquer partida.

María Zambrano, in A Metáfora do coração e outros escritos

23/04/15

© Rita Carmo | Aldina Duarte - Romance(s), 2015


No final do disco, a amizade vence. E na vida?
Aldina Duarte: Eu acho, ao contrário do poeta, que é possível ser feliz sozinho. Porque senão eu não existia, sempre fui uma solitária desde criança. E aprendi a ser feliz. Mas nunca vamos tão longe se não tivermos os nossos companheiros. Eu não consigo valorizar mais o amor do que uma amizade. A maior dor que tive na minha vida, irreparável, foi a perda de uma amizade e não de um amor. É pior do que uma morte. É um copo que se parte, não tem como se refazer. E deixa estilhaços por todo o lado, é horrível.

Como é que se recupera de uma coisa dessas?
Aldina Duarte: Não se recupera, integra-se. Não se consegue aceitar isso nunca.

E essa integração dá o quê?
Aldina Duarte: Dá uma dor que nos ensina a viver com ela e a não fugir dela. Abomino o sofrimento, acho-o um lamaçal, mas a dor é fundamental para crescer. Faz parte da vida e há que olhá-la de frente. Quem não cresce por medo da dor, mais tarde ou mais cedo definha.

Nuno Pacheco, aqui.

22/05/14

A pluridade humana.

Hannah Arendt

"a liberdade de pensar, a capacidade de julgamento, em tempos sombrios, em distinguir o bem do mal, sem se agarrar a ideologias, como se fossem uma bengala, é muito difícil, é um acto de profunda solidão, mas vitalmente necessário. Quanto a mim, foi sempre essa a postura e a ousadia de Hannah Arendt (...). E os poucos homens e mulheres que o fizeram, confrontaram-se com a mais terrível solidão." Irene Pimentel

É hoje,

16/05/14

© Steve Schapiro | Samuel Beckett - Film, 1964


"De repente, estou só no mundo. Vejo tudo isto do alto de um telhado espiritual. Estou só no mundo. Ver é estar distante. Ver claro é parar. Analisar é ser estrangeiro. Toda a gente passa sem roçar por mim. Tenho só ar à minha volta. Sinto-me tão isolado que sjnto a distância entre mim e o meu fato. Sou uma criança, com uma palmatória mal acesa, que atravessa, de camisa de noite, uma grande casa deserta. Vivem sombras que me cercam — só sombras, filhas dos móveis hirtos e da luz que me acompanha. Elas me rondam, aqui ao sol, mas são gente. E são sombras, sombras..." in Livro do Desassossego citado ontem por Delfim Sardo.

Para a semana há mais.

15/05/14


"O que principalmente tenho feito é sociologia e desassossego." 


Fernando Pessoa 
a 
Armando Cortes-Rodrigues, em 2 de Setembro de 1914

Mais aqui.

08/05/14

© Funarte SP - Antígona 2084

"É num ambiente solar que se deve falar de tragédia." 
Prof. José Pedro Serra


Para a semana há mais, 

08/03/14

Culturgest - Grande Auditório, 2014

"O sentido da minha vida é aquilo que não sei. Aprender." 
Aldina Duarte

07/03/14

Parabéns!

© Rita Carmo | Aldina Duarte

"uma história de amor de fio a pavio"

Maria do Rosário Pedreira, aqui.

28/02/14

O que nunca direi

© Rita Carmo | Aldina Duarte

Não, não há derrota, não, ninguém esmaga, nem o tempo mata. 
No canto imparável da Aldina, há um entusiasmo que nos empurra, nos abraça, ouvimos-lhe a canção cantando com ela, e conquistamos o xaile, o cravo, a rua, o passeio, o dia livre, conquistamos a vida. 
Por melancólicas ou angustiadas que sejam as palavras, há um jeito que a Aldina lhes dá, uma voltinha de coragem que as torna sempre entusiasmantes.
Não a ouvimos metidos para dentro, no silêncio, não, eu ouça-a de manhã.
Porque o seu canto vence a noite, é o dia que ela nos escancara. 
É um canto à janela, por deserta e soturna que seja a rua por onde andamos.
É entusiasmante, sim, entusiasma-me sempre cada uma das palavras, cada verso, cada cantiga, esta Aldina.


Jorge Silva Melo

17/09/13

Aldina Duarte

© Rita Carmo, 2013

"Delicadeza, mistério, intimidade e privacidade são a minha moldura de estimação..."

Aldina Duarte, in A porta estreita

30/05/13

© Clarissa Bonet


"Tudo o que fazemos é marcado pela fragilidade da nossa condição. Somos esta coisa humana, provisória, incerta, inacabada, imperfeita. Mas somos também poeira enamorada. Há em nós alguma coisa de maior. Mesmo no erro. Beckett dizia: errar, errar mais, errar melhor. No erro podemos encontrar um caminho."


José Tolentino de Mendonça

24/05/13


Ontem foi assim




NÃO: Não quero nada. 
Já disse que não quero nada. 

Não me venham com conclusões! 
A única conclusão é morrer. 

Não me tragam estéticas! 
Não me falem em moral! 

Tirem-me daqui a metafísica! 
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas 
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) — 
Das ciências, das artes, da civilização moderna! 

Que mal fiz eu aos deuses todos? 

Se têm a verdade, guardem-na! 

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica. 
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo. 
Com todo o direito a sê-lo, ouviram? 

Não me macem, por amor de Deus! 

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável? 
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa? 
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade. 
Assim, como sou, tenham paciência! 
Vão para o diabo sem mim, 
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo! 
Para que havemos de ir juntos? 

Não me peguem no braço! 
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho. 
Já disse que sou sozinho! 
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia! 

Ó céu azul — o mesmo da minha infância — 
Eterna verdade vazia e perfeita! 
Ó macio Tejo ancestral e mudo, 
Pequena verdade onde o céu se reflete! 
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje! 
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta. 

Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo... 
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho! 



*

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irresponsavelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenha calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenha agachado,
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe . todos eles príncipes na vida…
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que, contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos . mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


Poemas de Álvaro de Campos ditos por Pedro Mexia, aqui.

22/05/13


"Fernando Pessoa é, ainda, o grande “mistério”, o Poeta das máscaras que se desdobra e reinventa, na ânsia de “viver mais”. Familiar e estranho – português e estrangeiro – extático e dinâmico, irónico e desesperado, cínico e ingénuo, cosmopolita e provinciano, solitário e gregário, citadino e “rural”, rebelde e conformista Pessoa personificou a esquizofrenia eterna e os dilemas do “ser português”. Em Poesia ou na labiríntica odisseia de “O Livro do Desassossego”, Pessoa navegou sempre mais além, entre o Cabo e Lisboa, entre o Terreiro do Paço e o Chiado. Quanto de Pessoa existe em nós?" Helena Vasconcelos

Conferência "Os Mistérios de Pessoa" com Pedro Mexia | A cantar e a contar, aqui.

17/05/13

 © Jacques Henri Lartigue

“Pessimists are usually right and optimists are usually wrong but all the great changes have been accomplished by optimists." Thomas L. Friedman


in conferência "A invenção do Humano - (melhoramento humano)" proferida pelo Professor Alexandre Quintanilha, aqui.
© Nelson Garrido | Alexandre Quintanilha

"O conhecimento começa com desconforto em todos os domínios e o que parece óbvio, afinal não é. Sem curiosidade, não questionamos; sem imaginação, não formulamos hipóteses e sem testarmos as hipóteses, não construímos a "nossa" visão do mundo e de nós próprios."

Alexandre Quintanilha, in "A invenção do Humano - (melhoramento humano)", aqui.

10/05/13

© Maria | Lisboa, 09.05.2013 

"A leitura é uma máquina de fazer pensar. Mergulhar na leitura e depois levantar os olhos. 

O momento em que levantamos a cabeça é o momento que fundou outros livros, filmes... 
Metade do mundo começou aí, nesse exacto momento." 

Gonçalo M. Tavares, ontem e aqui.
© Maria | Sala Luís de Freitas Branco, CCB

Ontem foi assim, "uma cambada de mortais..."