Johann Johannsson | Orphée, 2016

E sentia-se cada vez mais leve
Ninguém reparou como sorria, de olhos postos no céu.
E depois, um dia…
As pessoas já não sabiam se era alguém que morria, ou alguém que nascia.
Mas uma coisa era certa, ninguém se importaria de partir assim.

Regina Pessoa


Como encontrar a perfeição e não a perder?

© Estelle Valente | Actores - encenação de Marco Martins, 2018

Talvez o actor seja em parte isto, mas a força vem do lado oposto, do interior, não de fora.

© Estelle Valente | Actores - encenação de Marco Martins, 2018

O ofício do actor e a sua dureza estão em palco. 
As falhas e o cansaço. De repente, a palavra que se repetiu cem vezes não sai, evaporou-se, nada na cabeça a não ser a questão: o que faço aqui? Um corpo a quem se pedia que falasse fica subitamente mudo; os medos dos actores. 

© Estelle Valente | Actores - encenação de Marco Martins, 2018

violência de não se parar em nenhuma situação: o actor que está doente e que prossegue, que está ferido e prossegue...

Gonçalo M. Tavares, in folha de sala Actores, Teatro São Luiz, 2018


Oliver Sacks & Henri Cole

I remember all our swims together—we are both water creatures.… My own future is very uncertain—I hope I can live tranquilly, but intensely, until the last drop of life-energy is gone. Thank God for Billy … and so much else. 


© Fernando M. | Alentejo, 2017

A imensidade vazia das coisas, o grande esquecimento que há no céu e na terra...

Fernando Pessoa, in Livro do desassossego


A única solução.

© Sergey Ponomarev/The New York Times - Refugees, 2015

- Se a divisão entre as ciências e as humanidades não faz sentido, queria saber de que forma é que a biologia pode ajudar a resolver as crises da democracia que se vivem hoje?
- Sabes, tem tudo a ver, porque a homeostasia (esse conceito da biologia definido como um processo de regulação pelo qual um organismo consegue a constância do seu equilíbrio) aplica-se à expressão do nosso sentimento pessoal, e estende-se facilmente à família e à tribo mais próxima. O problema é quando esse estado tem de se alargar a milhares de pessoas. Aí conseguir o equilíbrio é muito mais difícil. Isso explica por exemplo o recrudescimento dos extremismos na Europa. A única solução, insisto, é educar. Para que o nosso sentimento seja o de aceitar o outro.



(a pensar no melhor do meu 2017)

Radar | Inês Meneses, 2017

O amor e os amigos. E ouvir a Inês, sempre. Ela é como os livros, as músicas e os filmes da minha vida. Não poderia contar-vos a minha história sem a sua presença nos meus dias. 



Depeche Mode - Heroes, 2017


Quando se ama loucamente

 © Isabel Pinto | Aldina Duarte, 2017

"A água e o ar. E é isso que sou a cantar."

Aldina Duarte


Nevertheless, she persisted.

 © The New York Historical Society/Getty Images | The Statue of Liberty, 1898


All he wanted to do was... sleep.

 © Mike Piscitelli - Sam Shepard, 2013

And for the first time, he wished he were far away. Lost in a deep, vast country where nobody knew him. Somewhere without language, or streets. He dreamed about this place without knowing its name. And when he woke up, he was on fire.

Sam Shepard, in Paris,Texas


 © Mike Piscitelli - Sam Shepard, 2013

"We were having one of those desert heat waves that summer where it would sit and swelter around a hundred and twelve at midnight for days on end. No rain. And this was in the time before air-conditioning was even thought of. The hills were all black and smoky from wildfires and when you breathed in you could taste the ash on the back of your tongue. At night I would have dreams where the clouds would just ignite into flames. Anyway, I don’t know why it was that I suddenly had this little spell of not knowing what to call things." 

Sam Shepard, in Four Days - Majesty: (Highway 101 South), 2009


Days of Heaven...

© Terrence Malick | Sam Shepard, 1978

a beautiful garden

© Louis Malle | Jeanne Moreau - Elevator to the Gallows, 1958

“The cliché is that life is a mountain. You go up, reach the top and then go down. To me, life is going up until you are burned by flames. Life is an accomplishment and each moment has a meaning and you must use it. Life is given to you like a flat piece of land and everything has to be done. I hope that when I am finished, my piece of land will be a beautiful garden, so there is a lot of work.

Jeanne Moreau, 
in Like Acting and Loving, Honor Suits Jeanne Moreau, 2001


Porque continuam os homens a escrever poesia?

© Jim Jarmusch | Paterson, 2016

E porque continuam outros homens, desrazoavelmente, a escutá-la?

A poesia não tem respostas (às vezes, pobre dela, nem perguntas...), não oferece nada, consolo, não promete coisa nenhuma. É apenas um fio desprovido e solitário, vindo de lugares antiquíssimos dentro dos homens e persistindo obstinadamente no meio da vozearia do comércio e da gritaria dos media. Que haja quem continue à escuta dessa longínqua voz pode significar que talvez haja esperança e que talvez, afinal, não sejamos inteiramente miseráveis.

Manuel António Pina, in Por outras palavras



Jarvis Cocker & Chilly Gonzales | Room 29, 2017


Eu procuro dizer como tudo é outra coisa.

Herberto Helder


© astronaut William Anders | Earthrise, 24.12.1968

The pilot of the lunar module, William Anders, using a specially adapted Hasselblad camera, photographed a two-thirds-full Earth soaring in a night sky. His picture show it in luscious colour, with feathery cloud cover, swirling storm systems, rich blue seas and rusty continents. Major General Anders later reflected:

 "I think it was the Earthrise that really kind of got everybody in the solar plexus … We were looking back at our planet, the place where we evolved. Our Earth was quite colorful, pretty and delicate compared to the very rough, rugged, beat-up, even boring lunar surface. I think it struck everybody that here we’d come 240,000 miles to see the Moon and it was the Earth that was really worth looking at."

At the time, Anders's photos were disturbing as they were beautiful: and they remain so today.

Julian Barnes, in Levels of Life


"The story of the Negro in America is the story of America, and it is not a pretty story."

James Baldwin


Thank you for being late!

© Tay Kay Chin
"On one of those occasions, I realized I didn’t care at all about my guest’s tardiness, so I said: “No, no, please—don’t apologize. In fact, you know what, thank you for being late!”
Because he was late, I explained, I had minted time for myself. I had “found” a few minutes to just sit and think. I was having fun eavesdropping on the couple at the next table (fascinating!) and people-watching the lobby (outrageous!). And, most important, in the pause, I had connected a couple of ideas I had been struggling with for days. So no apology was necessary. Hence: “Thank you for being late.”
The first time, I just blurted out that response, not really thinking about it. But after another such encounter, I noticed that it felt good to have those few moments of unplanned-for, unscheduled time, and it wasn’t just me who felt better! And I knew why. Like many others, I was beginning to feel overwhelmed and exhausted by the dizzying pace of change. I needed to give myself (and my guests) permission to just slow down; I needed permission to be alone with my thoughts—without having to tweet about them, take a picture of them, or share them with anyone. Each time I reassured my guests that their lateness was not a problem, they would give me a quizzical look at first, but then a lightbulb would suddenly go on in their heads and they would say something like: “I know what you mean … ‘Thank you for being late!’ Hey, you’re welcome.”
Thomas L. Friedman, in Thank you for being late: an optimistic guide to thriving in the age of accelerations, 2016


What is May 17th?

It was created in 2004 to draw the attention of policymakers, opinion leaders, social movements, the public and the media to the violence and discrimination experienced by LGBTI people internationally.

The International Day Against Homophobia, Transphobia and Biphobia is not one centralised campaign; rather it is a moment that everyone can take advantage of to take action.
The date of May 17th was specifically chosen to commemorate the World Health Organization’s decision in 1990 to declassify homosexuality as a mental disorder.

Photo: Lisa Gregoire - Male colleagues of Netherlands at UN walking hand in hand in New York protesting against violence directed at LGBTI, 2017


Nick Cave and The Bad Seeds | Skeleton Tree, 2016

Entre muitas ocupações
muito urgentes
de que também há que

Tadeusz Różewicz


© Andrew Dominik | One More Time With Feeling, 2016

"The idea that we live life in a straight line, like a story, seems to me to be increasingly absurd and, more than anything, a kind of intellectual convenience... I feel that the events in our lives are like a series of bells being struck and the vibrations spread outwards, affecting everything, our present, and our futures, of course, but our past as well. Everything is changing and vibrating and in flux."

Nick Cave, aqui.


© Ana Hatherly | 25 de Abril de 1974, Lisboa

"A rua, principalmente a rua. Os milhares e milhares de pessoas que, logo de manhã e, depois, pela tarde dentro, saíram espontaneamente para as ruas e praças. Sem convocatória, sem bandeiras, sem palavras de ordem, sem dísticos: apenas a voz. Aqueles gritos de “Liberdade! Liberdade!”, aquela alegria deslumbrada, de quem não acredita e esfrega os olhos com receio de estar a sonhar. Não havia ainda partidos a dividir-nos, não havia desconfiança, não havia suspeita. Nunca, como nesse dia e nos dias imediatamente a seguir, estivemos tão próximos uns dos outros. A minha cabeça e o meu coração estão, naturalmente, cheios de memórias desses desmesurados tempos." 

Manuel António Pina


© Largo Alto | Concerto Divino Sospiro

...e somos levados pela música sem dar por isso.



Dia 21 de Abril, às 21 horas, na Igreja do Menino Deus em Lisboa.


© Vivian Maier 

Agora penso. Porque fazemos nós alguma ideia de como a felicidade e a infelicidade são distribuídas? Elas surgem no interior do humano, tal como bem pensa a maioria das pessoas no nosso tempo racional, e somos nós mesmos que criamos a nossa felicidade ou infelicidade, a questão é o que se entende por 'nós mesmos' num tempo assim - se não é apenas uma concentração de células que concretizam um código genético e que é modificado por experiências, que são activadas ou desactivadas por pequenas tempestades electroquímicas, de maneira que algo determinado seja sentido, pensado, dito, feito? E que as consequências exteriores disto criam uma nova tempestade interior, e uma subsequente série de sentimentos, pensamentos, verbalizações, gestos? 

Karl Ove knausgård, in No Outono


© Maria | Fundação Calouste Gulbenkian, 2017

"Há muitos e muitos milhares de anos, a poesia aproximou-se do homem e tão próximos ficaram, que ela se instalou no seu coração. E começaram a ver o mundo conjuntamente estabelecendo uma inseparável relação que perdurará para sempre. Poesia e homem criaram assim uma cúmplice e indissociável relação por todo o mundo, embora a História pouco se tenha disso apercebido. Hoje sabemos que haverá sempre seres humanos que a reconhecem pela substância do seu silêncio. Pelo tempo e lugar do seu rigor de ave de arribação. Pelo seu fulgor. Pelo seu perfume. Pela riqueza inesperada das suas sugestões. Com um pequeno gesto os poetas soltam o seu pólen que, levado pelas palavras vai eternamente fecundando os arcos da beleza que erguem o universo..." 
Manuel Hermínio Monteiro, in Rosa do Mundo: 2001 Poemas para o Futuro  


Kate Bush - And Dream Of Sheep, 2016
(Hounds of Love, 1985)

Tudo para os olhos.
E nos olhos um ritmo,
uma cor fugitiva,
a sombra duma forma,
um repentino vento
e um naufrágio infinito.

Octavio Paz


© FJorge

"...ele tomou-lhe a respiração, ele beijou-a." 

Gonçalo M Tavares, in Atlas do corpo e da imaginação - teorias, fragmentos e imagens


© Richard Kalvar/Magnum

The truth is that more I know, the more questions I have. The more questions questions I have, the more I read, and that reading creates further questions. It never stops. What I ask from the reader... is openness, warinesss of prejudice, and a willingness to travel with me to places where the ground may be rocky and the views hazy, but dispate, or perhaps because of, these difficulties, there are pleasures to be found.

Siri Hustvedt, in A Woman looking at Men Looking at Women - essays on Art, Sex, and the Mind


© Justin Tallis / AFP, 2016

"A política..., no fundo, para que serve a política?! Porque precisamos de elites políticas? Porque no fundo o tempo é uma espécie de grande oceano. Os povos navegam num gigantesco oceano que é sempre um oceano de incertezas chamado tempo. E os políticos deveriam ser os nossos navegadores. Os nossos argonautas. E quando os governos funcionam bem, nós temos governos com visão. Temos lideres que têm visão (...) capazes de ver para lá do horizonte imediato. A questão fundamental é que nós, na Europa, há pelo menos 6 ou 7 anos que riscámos do léxico político-europeu a palavra FUTURO. Inclusivamente até riscámos do léxico europeu a ideia de FUTURO COMUM. A ideia de PAZ. De SOLIDARIEDADE. E quando a política deixa de ter uma ideia de comum, quando, no fundo, a política deixa de ser concebida como a capacidade de unir as pessoas, na sua diferença, em nome de um projecto de futuro, essa política tem de ser alterada."  

Viriato Soromenho-Marques, in Europa 30 - Democracia


© AP | Queda do Muro de Berlim, 1989

Uma vez que a vida é movimento, acontece regularmente uma inadequação entre o que nós devemos fazer e o que queremos fazer, que se manifesta num desejo de ultrapassar os limites [molduras] que se nos põem. Se se der largas a esse desejo, surge um período de desordem antes de serem estabelecidos novos limites para a vida. É assim na vida individual, chama-se revolta adolescente, e na vida cultural, chama-se revolta de uma geração, revolução ou guerra. O que há de comum em todos estes movimentos é o anseio pela autenticidade, pelo verdadeiro, que simplesmente é o lugar em que as representações da realidade são uma e a mesma coisa. Ou por outras palavras, uma vida, uma existência, um mundo sem molduras, sem limites.

Karl Ove knausgård, in No Outono


Gem Club - In Roses, 2014

Feliz aquele que administra sabiamente 
a tristeza e aprende a reparti-la pelos dias...

Ruy Belo


© Daniela Spector, 2017

"... dou comigo a pensar no ditador, que num dia controla tudo poderosamente e que no seguinte, quando o povo se revolta, fica desmascarado e nu."

Karl Ove knausgård, in No Outono


© Michael Sohn/AP | Berlin Wall Memorial, 01.2017


Women's March Global

© Jessica Chastain, 21.01.2017

"Above all, the march was an inspiring reminder that real world action creates millions of possibilities for social change. Perhaps this is the way the world will be reformed -- we will simply turn off the channel of the reality show they are selling us, and watch the real one, the one where all of us live." 

John Freeman


© Bernardo Martins

Esse momento não foi o início de nada, nem sequer de um conhecimento, também não foi o fim de nada, e talvez fosse isso o que pensei quando estava a escavar o buraco há uns dias, que ainda estou a meio de qualquer coisa, e sempre estarei.

Karl Ove knausgård, in No Outono


E, antes de nos deitarmos, deveríamos repetir a oração:

Ken  Loach | I, Daniel Blake, 2016

Tenho milhas a percorrer antes de dormir.
E não abandonar os poetas nos parques.

Afonso Cruz


nunca se abandona a poesia

Emir Kusturica - Na Via Láctea, 2016

nem num parque,
nem na vida

Afonso Cruz


© Bernardo Martins

"...tudo pronto para que a luz estremeça:
o terror da beleza, isso, o terror da beleza delicadíssima..."

Herberto Helder


© Bernardo Martins

"...um instante oblíquo, e enriquecer e intoxicar a vida com essas misteriosas coisas roubadas." 

Herberto Helder


I look forward to the day people get sick of superheroes.

Come Hell or High Water, 2016 
banda sonora original de Nick Cave e Warren Ellis

Come Hell or High Water, 2016 
realização de David McKenzie 


realização de Everardo Gout | Mars, 2016
banda sonora original de Nick Cave e Warren Ellis


© Andrew Dominik | Nick Cave 

“Most of us don’t want to change, really. I mean, why should we? But what happens when an event occurs that is so catastrophic that you just change? You change from the known person to an unknown person. So that when you look at yourself in the mirror, you recognize the person that you were, but the person inside the skin is a different person.” Nick Cave in, One More Time with Feeling

Nick Cave and The Bad Seeds | Skeleton Tree, 2016


E o vento levar-nos-á...

© Abbas Kiarostami

Pergunto-me, por exemplo, por que é que ler uma poesia excita a nossa imaginação e convida a participar na sua 'realização'. Não há dúvida que a poesia, embora incompleta, se cria para alcançar uma unidade. Quando a minha imaginação se mistura com ela, a poesia torna-se minha. A poesia nunca conta histórias. Oferece uma série de imagens, Representando-as na minha memória, apoderando-me do seu código, posso aceder ao seu mistério. 

Abbas Kiarostami, in Duas ou três coisas que sei de mim 


© Abbas Kiarostami - Roads, 1989
Com o passar do tempo, a minha atracção por muitas coisas diminui cada vez mais. Quero dizer que já não tenho, como antes, o mesmo grau de preocupação com os meus filhos, que o meu desejo de comida é menos intenso, que o desejo de ver os amigos é menor. O que substituiu tudo isso e que se torna cada vez mais forte, embora não me atraísse na minha juventude e não percebesse nada dele, é o desejo de estar na natureza, o desejo de contemplar o céu, o Outono, as quatro estações. E muitas vezes disse aos meus amigos: esta é a única coisa que me faz recear a morte. Não o medo de morrer, mas a ideia de perder a natureza que ainda tenho, a possibilidade de contemplar no mundo. Porque o único amor que aumenta de intensidade cada dia, enquanto os outros amores perdem força, é o amor pela natureza.

Abbas Kiarostami, in Duas ou três coisas que sei de mim 


um problema de desassossego...

© Abbas Kiarostami | Roads of Kiarostami, 2006

Fiz muitas coisas ao longo da minha vida e utilizei vários instrumentos: a pintura, o grafismo, a publicidade, a televisão, o cinema, a fotografia e o vídeo, a poesia. Até teatro fiz. Aliás, poderia acrescentar mais coisas a esta lista. Por exemplo, acerta altura da minha existência fui carpinteiro, quando decidi construir sozinho os móveis da minha casa, disso pouca gente sabe. Acho que tudo isso tem a ver com um problema de desassossego...

Abbas Kiarostami, in Duas ou três coisas que sei de mim