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31/07/17

a beautiful garden

© Louis Malle | Jeanne Moreau - Elevator to the Gallows, 1958

“The cliché is that life is a mountain. You go up, reach the top and then go down. To me, life is going up until you are burned by flames. Life is an accomplishment and each moment has a meaning and you must use it. Life is given to you like a flat piece of land and everything has to be done. I hope that when I am finished, my piece of land will be a beautiful garden, so there is a lot of work.”

Jeanne Moreau, 
in Like Acting and Loving, Honor Suits Jeanne Moreau, 2001

21/03/17

© Maria | Fundação Calouste Gulbenkian, 2017

"Há muitos e muitos milhares de anos, a poesia aproximou-se do homem e tão próximos ficaram, que ela se instalou no seu coração. E começaram a ver o mundo conjuntamente estabelecendo uma inseparável relação que perdurará para sempre. Poesia e homem criaram assim uma cúmplice e indissociável relação por todo o mundo, embora a História pouco se tenha disso apercebido. Hoje sabemos que haverá sempre seres humanos que a reconhecem pela substância do seu silêncio. Pelo tempo e lugar do seu rigor de ave de arribação. Pelo seu fulgor. Pelo seu perfume. Pela riqueza inesperada das suas sugestões. Com um pequeno gesto os poetas soltam o seu pólen que, levado pelas palavras vai eternamente fecundando os arcos da beleza que erguem o universo..." 
 
Manuel Hermínio Monteiro, in Rosa do Mundo: 2001 Poemas para o Futuro  

27/02/17

© Richard Kalvar/Magnum


The truth is that more I know, the more questions I have. The more questions questions I have, the more I read, and that reading creates further questions. It never stops. What I ask from the reader... is openness, warinesss of prejudice, and a willingness to travel with me to places where the ground may be rocky and the views hazy, but dispate, or perhaps because of, these difficulties, there are pleasures to be found.

Siri Hustvedt, in A Woman looking at Men Looking at Women - essays on Art, Sex, and the Mind

07/07/16

E o vento levar-nos-á...

© Abbas Kiarostami

Pergunto-me, por exemplo, por que é que ler uma poesia excita a nossa imaginação e convida a participar na sua 'realização'. Não há dúvida que a poesia, embora incompleta, se cria para alcançar uma unidade. Quando a minha imaginação se mistura com ela, a poesia torna-se minha. A poesia nunca conta histórias. Oferece uma série de imagens, Representando-as na minha memória, apoderando-me do seu código, posso aceder ao seu mistério. 

Abbas Kiarostami, in Duas ou três coisas que sei de mim 

06/07/16

© Abbas Kiarostami - Roads, 1989
Com o passar do tempo, a minha atracção por muitas coisas diminui cada vez mais. Quero dizer que já não tenho, como antes, o mesmo grau de preocupação com os meus filhos, que o meu desejo de comida é menos intenso, que o desejo de ver os amigos é menor. O que substituiu tudo isso e que se torna cada vez mais forte, embora não me atraísse na minha juventude e não percebesse nada dele, é o desejo de estar na natureza, o desejo de contemplar o céu, o Outono, as quatro estações. E muitas vezes disse aos meus amigos: esta é a única coisa que me faz recear a morte. Não o medo de morrer, mas a ideia de perder a natureza que ainda tenho, a possibilidade de contemplar no mundo. Porque o único amor que aumenta de intensidade cada dia, enquanto os outros amores perdem força, é o amor pela natureza.

Abbas Kiarostami, in Duas ou três coisas que sei de mim 


05/07/16

um problema de desassossego...

© Abbas Kiarostami | Roads of Kiarostami, 2006

Fiz muitas coisas ao longo da minha vida e utilizei vários instrumentos: a pintura, o grafismo, a publicidade, a televisão, o cinema, a fotografia e o vídeo, a poesia. Até teatro fiz. Aliás, poderia acrescentar mais coisas a esta lista. Por exemplo, acerta altura da minha existência fui carpinteiro, quando decidi construir sozinho os móveis da minha casa, disso pouca gente sabe. Acho que tudo isso tem a ver com um problema de desassossego...

Abbas Kiarostami, in Duas ou três coisas que sei de mim 

© Sholeh Zahraei - Abbas Kiarostami


Temos um ditado persa que diz, quando alguém olha com verdadeira intensidade: 
"Tinha dois olhos e pediu mais dois emprestados."

Abbas Kiarostami
in Duas ou três coisas que sei de mim 

23/04/16

Os Espacialistas | O Palácio vai nú, 2016 

...
de um mundo indiscutível e inexplicado
de um mundo sem bem-viver mas cheio de alegria de viver
de um mundo sóbrio e ébrio
de um mundo triste e alegre
terno e cruel
real e surreal
aterrorizante e divertido
nocturno e diurno
vulgar e insólito
belo como tudo.

Jacques Prévert

25/01/16

© Paul Kohl | Izumi Ueda Yuu


...
também isto é
sublime e quotidiano.

Gabriel del Sarto



NO BORDERS | Museu do Oriente | Até 27 de Março

20/01/16

© Izumi Ueda Yuu | No Borders


O grande mistério não é o universo.

Edward Witten

12/01/16

© Os Espacialistas | Casa re/parada, 2016

...
o olhar que distende o movimento da mão conduz
à casa a casa a casa a casa
a conciliação dos trabalhos da mão
com o perfume do silêncio

então, antevejo:
o poema é a mão que corrige o olho,
que antecipa a eternidade

sou o caminho dessa mão
que antevê o cálculo
do marinheiro que manobra
o astrolábio da canção

essa mão é todo o corpo do poema
...

Luís Felício

06/01/16

© Os Espacialistas | Malha de ar quente, 2016


Palavras? Sim, de ar,
e no ar perdidas.
Deixa-me perder entre palavras,
deixa-me ser o ar nuns lábios,
um sopro vagabundo sem contornos
que o ar desvanece.

Também a luz em si mesma se perde.


Octavio Paz

06/10/15

A minha obra é o meu corpo,

© Helena Almeida | o meu corpo é a minha obra.

                                               

15/06/15

© Eli Craven | Screen Lovers


O que é único e novo ninguém sabe de onde vem. Como esperar aquilo que em breve nos trará o espanto? Impossível esperar o espantoso, dirás.

Gonçalo M. Tavares, in Breves notas sobre ciência, o medo e as ligações

04/06/15

© Eli Craven | Screen Lovers


I like “A Little Lost” because it’s all about kissing. I love kissing. If I could kiss all day, I would. I can’t stop thinking about kissing. I like kissing more than sex because there’s no end to it. You can kiss forever.


Sufjan Stevens, aqui.

© Eli Craven | Screen Lovers

29/05/15


© Jim Goldberg | Open See

Open See tells the story of refugees, immigrants, and trafficked individuals journeying from their countries of origin to their new homes in Europe. This project addresses the struggle of immigrants to leave conditions where war, disease, and economic devastation prevail. It also addresses their struggle to adapt to new European cultures and the reciprocal struggle of those cultures to adapt to them in turn. My approach to creation and distribution requires personal, active engagement with the material from both artist and participant. With this work, I hope to shift attitudes, experience, and public perception. 

Jim Goldberg, 2011



Once upon a time there was a boat full of people looking for a new home...

28/05/15

© Jim Goldberg | Open See 


Para cá de mim e para lá de mim, antes e depois.
E entre mim eu, isto é, palavras,
formas indecisas
procurando um eixo que
lhes dê peso, um sentido capaz de conter
a sua inocência
uma voz (uma palavra) a que se prender
antes de se despedaçarem
contra tanto silêncio.
São elas, as tuas palavras, quem diz "eu";
se tiveres ouvidos suficientemente privados
podes escutar o seu coração 
pulsando sob a palavra da tua existência,
entre o para cá de ti e o para lá de ti.
Tu és aquilo que as tuas palavras ouvem, 
ouves o teu coração (as tuas palavras "o teu coração")?

Manuel António Pina

20/05/15

© Rodney Graham | Welsh Oaks, 1998


estava ali desde sempre
e nós em paz porque existia
silencioso
atento
era um ramo pousado no ombro do tempo
agitou-se
estendeu um braço de dentro do braço
...

Rosa Oliveira, in Cinza