Começa por partir os espelhos da tua casa, deixa cair os braços, olha vagamente a parede, esquece-te. Canta, escuta por dentro. Ouves (mas isto acontecerá muito depois) algo como uma paisagem, com silhuetas seminuas, penso que estarás bem encaminhada, ouves um rio por onde passam pequenos barcos pintados de verde e negro, ouves um sabor de pão, um toque de mãos, uma sombra de um felino.
"Antes de um lugar há o seu nome. E ainda a viagem até ele, que é um outro lugar mais descontínuo e inominável.
Lembro-me
do quadriculado verde das colinas, do sol entretido pelos telhados ao longe, dos rebanhos empurrados nos carreiros, de um cão pequeno que se atreveu à estrada.
Começa por partir os espelhos da tua casa, deixa cair os braços, olha vagamente a parede, esquece-te. Canta, escuta por dentro. Ouves (mas isto acontecerá muito depois) algo como uma paisagem, com silhuetas seminuas, penso que estarás bem encaminhada, ouves um rio por onde passam pequenos barcos pintados de verde e negro, ouves um sabor de pão, um toque de mãos, uma sombra de um felino.
ResponderEliminar"Antes de um lugar há o seu nome. E ainda
Eliminara viagem até ele, que é um outro lugar
mais descontínuo e inominável.
Lembro-me
do quadriculado verde das colinas,
do sol entretido pelos telhados ao longe,
dos rebanhos empurrados nos carreiros,
de um cão pequeno que se atreveu à estrada.
Íamos ou vínhamos?"
Maria do Rosário Pedreira