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04/02/16


Tindersticks | The waiting room, 2016


"(...) sim, sempre com a minha mão no teu ombro, agarrados um ao outro, apoiando-nos um ao outro, fugimos, como dois amantes solitários e desesperados neste universo aterrador e cheio de fealdade, que só o amor permite enfrentar, e pronto, deixamos tudo para trás de nós, caminhamos sob as árvores, pelas ruas vazias, silenciosas e melancólicas, olhamos para as luzes coloridas dos restaurantes e dos cafés, ao longe, e falamos, com um entendimento mútuo vindo do fundo do coração, como dois apaixonados de quem o mundo inveja não só o amor mas também a profunda amizade (...)".

Orhan Pamuk, in A casa do silêncio

09/11/15

"Mev-lut!"

It was a voice full of love, the voice of someone who had read the letters he'd sent during his military service, a trusting voice. Mevlut remembered those letters now, hundreds of them, each written with genuine love and desire; he remembered how he had devoted his entire being to winning over that beautiful girl, and the scenes of hapiness he'd conjured in his mind. Now, at last, he'd managed to get the girl. He couldn't see much, but in that magical night, he drew like a sleepwalker toward the sound of her voice.
...
© Philippe Halsman

...
Mevlut got out and walked toward the back in the darkness. As he was shutting the door on the girl, there was a flash of linhtning, and for a moment, the sky, the mountains, the rocks, the trees - everything around him - lit up like a distant memory. For the first time, Mevlut got a proper look at the face of the woman he was to spend a lifetime with.

He would remember the utter strangeness of thar moment for the rest of his life.

Orhan Pamuk, in A Strangeness in My Mind

08/06/15



Chromatics | Night Drive, 2007



"Todavia, como todos sabemos, o lugar a que voltamos nunca é o mesmo que tínhamos deixado."

Orhan Pamuk

25/05/15

© Beatrice Jansen

Cultivar o amor pelos romances, desenvolver o hábito de ler romances indica um desejo de escapar à lógica cartesiana das dicotomias, um mundo em que corpo e espírito e imaginação são considerados totalmente opostos. Os romances são estruturas especiais que nos  permitem manter pensamentos contraditórios sem dificuldade e compreender diferentes pontos de vista simultaneamente.


Orhan Pamuk, in Senhor Pamuk, tudo isso aconteceu realmente consigo? - O romancista ingénuo e o sentimental

16/04/15

... when another writer in another house is not free, no writer is free.

© Philip Grey

My experience as a guide, and other like experiences in later years, taught me something that we all know but that I would like to take this opportunity to emphasize. Whatever the country, freedom of thought and expression are universal human rights. These freedoms, which modern people long for as much as bread and water, should never be limited by using nationalist sentiment, moral sensitivities, or—worst of all—business or military interests. If many nations outside the West suffer poverty in shame, it is not because they have freedom of expression but because they don’t. As for those who emigrate from these poor countries to the West or the North to escape economic hardship and brutal repression—as we know, they sometimes find themselves further brutalized by the racism they encounter in rich countries. Yes, we must also be alert to those who denigrate immigrants and minorities for their religion, their ethnic roots, or the oppression that the governments of the countries they’ve left behind have visited on their own people.
But to respect the humanity and religious beliefs of minorities is not to suggest that we should limit freedom of thought on their behalf. Respect for the rights of religious or ethnic minorities should never be an excuse to violate freedom of speech. We writers should never hesitate on this matter, no matter how “provocative” the pretext. Some of us have a better understanding of the West, some of us have more affection for those who live in the East, and some, like me, try to keep our hearts open to both sides of this slightly artificial divide, but our natural attachments and our desire to understand those unlike us should never stand in the way of our respect for human rights.
(...)
I have personally known writers who have chosen to raise forbidden topics purely because they were forbidden. I think I am no different. Because when another writer in another house is not free, no writer is free. 

Orhan Pamuk, in Freedom to write

08/10/14

‘liberdade, igualdade, fraternidade’

© Nuri Bilge Ceylan 

“A herança cultural europeia não se deve limitar à preservação dos seus monumentos, mas também à preservação dos seus valores fundamentais”, disse o escritor, na sua primeira visita oficial a Portugal. “E temos de ter uma discussão séria sobre esses valores fundamentais.” Orhan Pamuk, aqui.

08/05/14

© Refik Anadol | The Museum of Innocence, Istanbul

"The habit of collecting, of attachment to things, is an essential human trait. But Western civilization put collecting on a pedestal by inventing museums. Museums are about representing power. It could be the king's power or, later, people's power. (...) My point is that, whatever a life is made of, its dreams and disappointments, is worth taking pride in. 
In building my own museum in Istanbul, I am very close to my character Kemal. I don't want to exhibit power but express my interiority, my spirit. A museum should not be flags-signs and symbols of power-but intimate works of art. It should express the spirituality of the collector."

Orhan Pamuk, in A museum for person, not for power - aqui.

12/02/14

Hello, may I speak to Orhan Pamuk please? Hello?

© Michael Oreal | Orhan Pamuk
© Michael Oreal | Orhan Pamuk

– Hello.
– Hello, may I speak to Orhan Pamuk please? Hello?
– Hello.
– Hello, may I speak to Orhan Pamuk please?
– Speaking.
Continua, aqui.

23/12/13


"We love poets for the things their poems lead us to imagine; but equally, we love them for how we imagine their lives to be." 


Orhan Pamuk, in Other Countries, Other Shores 

23/11/13

© Nuri Bilge Ceylan

"Ao anoitecer, regresso a casa morto de cansaço. Olhando a direito, para as estradas e os passeios. Zangado com qualquer coisa, magoado, enraivecido. Embora a minha imaginação continue a conjurar belas imagens, nem estas se demoram no filme da minha cabeça. O tempo passa. Não há nada. Já é noite. Perdição e derrota. O que há para o jantar?
(...)
Depois estendi suavemente a mão, afastei as cortinas e, na escuridão do exterior, vislumbrei a Lua. Os outros mundos são os melhores consolos. Na Lua estavam a ver televisão. Terminei com uma laranja - era muito doce - e o meu espírito animou-se.
E então eu era o senhor de todos os mundos. Compreendem o que quero dizer, não compreendem? Cheguei a casa ao anoitecer. Cheguei a casa vindo de todas as aquelas guerras, boas, más e indiferentes; regressei inteiro e entrei numa casa aquecida. Tinha uma refeição à minha espera e enchi o estômago; as luzes estavam acesas; comi a minha fruta. Comecei até a pensar que tudo se iria resolver pelo melhor.
Depois pressionei o botão e vi televisão. Nessa altura já me sentia bem, sabem?"

Orhan Pamuk, in Outras cores - ensaios sobre a vida, a arte, os livros e as cidades

30/10/13

© Henri Cartier-Bresson


"(...) e falamos, com um entendimento mútuo vindo do fundo do coração, como dois apaixonados de quem o mundo inveja não só o amor mas também a profunda amizade (...)". 

Orhan Pamuk, in A casa do silêncio

19/09/13

 © Martin Munkácsi 

"não se pode recomeçar a vida; esta viagem de sentido único, uma vez terminada, não pode ser reiniciada, mas se se tiver um livro na mão, mesmo que seja um livro confuso e misterioso, podemos lê-lo, terminá-lo e, depois, podemos recomeçá-lo desde o início, se quisermos, podemos relê-lo, para compreendermos o que é incompreensível, para percebermos a vida..."

Orhan Pamuk, in A casa do silêncio

25/06/13

© Fernando | Junho, 2013

"(...) sim, sempre com a minha mão no teu ombro, agarrados um ao outro, apoiando-nos um ao outro, fugimos, como dois amantes solitários e desesperados neste universo aterrador e cheio de fealdade, que só o amor permite enfrentar, e pronto, deixamos tudo para trás de nós, caminhamos sob as árvores, pelas ruas vazias, silenciosas e melancólicas, olhamos para as luzes coloridas dos restaurantes e dos cafés, ao longe, e falamos, com um entendimento mútuo vindo do fundo do coração, como dois apaixonados de quem o mundo inveja não só o amor mas também a profunda amizade (...)".

Orhan Pamuk, in A casa do silêncio

08/06/13



"E, no entanto, como era bela a neve a cair!"

07/06/13

© Public Library of Cincinnati and Hamilton County, 1874


"Escrevo porque tenho uma crença pueril na imortalidade das bibliotecas e na forma como os meus livros assentam na prateleira. Escrevo porque é entusiasmante transformar todas as belezas e riquezas do mundo em palavras. Escrevo para ser feliz." 

Orhan Pamuk, in Outras cores - ensaios sobre a vida, a arte, os livros e as cidades

04/06/13


"The beauty of a landscape resides in its melancholy."

Ahmet Rasim

27/05/13

© Ramon Casas i Carbó

"O que se passa na nossa cabeça, na nossa alma, quando estamos a ler um romance?"

Orhan Pamuk, in O romancista ingénuo e o sentimental

25/05/13

Granta I | Maio, 2013

"A vida é um tédio quando não há histórias para ouvir nem nada para ver. Quando eu era miúdo, se não estávamos à janela a observar a rua e os transeuntes ou nas casas do prédio em frente, ouvíamos o rádio, em cima do qual um pequeno cão de porcelana dormia perpetuamente." 

Orhan Pamuk, in Granta I 

24/05/13

Museu da Inocência | Istambul
Museu da Inocência | Istambul

"O luar prateado que entrava pelas janelas do meu museu - que por vezes parecia que jamais seria concluído - conferia ao edifício, e ao seu centro vazio, um aspecto assustadoramente desocupado, como se estivesse em ligação com o espaço infinito. Toda a minha colecção, reunida ao longo de trinta anos, estava oculta nas sombras dos andares de baixo, invadindo o vazio da mesma forma que, numa sala de teatro, um balcão se projecta no espaço."  Orhan Pamuk, in O Museu da Inocência


"Todo o resto do seu belo ser - os seus olhos tristes; os seus miraculosos lábios; a sua grande língua rosada; as faces aveludadas; os ombros bem delineados; a pele sedosa da sua garganta, do peito, do pescoço e do ventre; as pernas longas; os pés delicados, cuja visão sempre me fizera sorrir; os seus esguios braços cor de mel, cheios de sinais e com uma penugem acastanhada; a curva das suas nádegas; e a sua alma, que sempre me atraíra a si - permaneceu intacto." 

Orhan Pamuk, in O Museu da Inocência - editorial Presença, 2010