Mostrar mensagens com a etiqueta livros. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta livros. Mostrar todas as mensagens

26/01/18

Oliver Sacks & Henri Cole

I remember all our swims together—we are both water creatures.… My own future is very uncertain—I hope I can live tranquilly, but intensely, until the last drop of life-energy is gone. Thank God for Billy … and so much else. 
Love, 
Oliver.

05/01/18

A única solução.

© Sergey Ponomarev/The New York Times - Refugees, 2015


- Se a divisão entre as ciências e as humanidades não faz sentido, queria saber de que forma é que a biologia pode ajudar a resolver as crises da democracia que se vivem hoje?
- Sabes, tem tudo a ver, porque a homeostasia (esse conceito da biologia definido como um processo de regulação pelo qual um organismo consegue a constância do seu equilíbrio) aplica-se à expressão do nosso sentimento pessoal, e estende-se facilmente à família e à tribo mais próxima. O problema é quando esse estado tem de se alargar a milhares de pessoas. Aí conseguir o equilíbrio é muito mais difícil. Isso explica por exemplo o recrudescimento dos extremismos na Europa. A única solução, insisto, é educar. Para que o nosso sentimento seja o de aceitar o outro.

31/12/17

(a pensar no melhor do meu 2017)

Radar | Inês Meneses, 2017

O amor e os amigos. E ouvir a Inês, sempre. Ela é como os livros, as músicas e os filmes da minha vida. Não poderia contar-vos a minha história sem a sua presença nos meus dias. 

02/08/17

All he wanted to do was... sleep.

 © Mike Piscitelli - Sam Shepard, 2013

And for the first time, he wished he were far away. Lost in a deep, vast country where nobody knew him. Somewhere without language, or streets. He dreamed about this place without knowing its name. And when he woke up, he was on fire.

Sam Shepard, in Paris,Texas

01/08/17

 © Mike Piscitelli - Sam Shepard, 2013

"We were having one of those desert heat waves that summer where it would sit and swelter around a hundred and twelve at midnight for days on end. No rain. And this was in the time before air-conditioning was even thought of. The hills were all black and smoky from wildfires and when you breathed in you could taste the ash on the back of your tongue. At night I would have dreams where the clouds would just ignite into flames. Anyway, I don’t know why it was that I suddenly had this little spell of not knowing what to call things." 

Sam Shepard, in Four Days - Majesty: (Highway 101 South), 2009

02/06/17

© astronaut William Anders | Earthrise, 24.12.1968


The pilot of the lunar module, William Anders, using a specially adapted Hasselblad camera, photographed a two-thirds-full Earth soaring in a night sky. His picture show it in luscious colour, with feathery cloud cover, swirling storm systems, rich blue seas and rusty continents. Major General Anders later reflected:

 "I think it was the Earthrise that really kind of got everybody in the solar plexus … We were looking back at our planet, the place where we evolved. Our Earth was quite colorful, pretty and delicate compared to the very rough, rugged, beat-up, even boring lunar surface. I think it struck everybody that here we’d come 240,000 miles to see the Moon and it was the Earth that was really worth looking at."

At the time, Anders's photos were disturbing as they were beautiful: and they remain so today.

Julian Barnes, in Levels of Life

18/05/17

Thank you for being late!

© Tay Kay Chin
"On one of those occasions, I realized I didn’t care at all about my guest’s tardiness, so I said: “No, no, please—don’t apologize. In fact, you know what, thank you for being late!”
Because he was late, I explained, I had minted time for myself. I had “found” a few minutes to just sit and think. I was having fun eavesdropping on the couple at the next table (fascinating!) and people-watching the lobby (outrageous!). And, most important, in the pause, I had connected a couple of ideas I had been struggling with for days. So no apology was necessary. Hence: “Thank you for being late.”
The first time, I just blurted out that response, not really thinking about it. But after another such encounter, I noticed that it felt good to have those few moments of unplanned-for, unscheduled time, and it wasn’t just me who felt better! And I knew why. Like many others, I was beginning to feel overwhelmed and exhausted by the dizzying pace of change. I needed to give myself (and my guests) permission to just slow down; I needed permission to be alone with my thoughts—without having to tweet about them, take a picture of them, or share them with anyone. Each time I reassured my guests that their lateness was not a problem, they would give me a quizzical look at first, but then a lightbulb would suddenly go on in their heads and they would say something like: “I know what you mean … ‘Thank you for being late!’ Hey, you’re welcome.”
Thomas L. Friedman, in Thank you for being late: an optimistic guide to thriving in the age of accelerations, 2016

03/04/17

© Vivian Maier 

Agora penso. Porque fazemos nós alguma ideia de como a felicidade e a infelicidade são distribuídas? Elas surgem no interior do humano, tal como bem pensa a maioria das pessoas no nosso tempo racional, e somos nós mesmos que criamos a nossa felicidade ou infelicidade, a questão é o que se entende por 'nós mesmos' num tempo assim - se não é apenas uma concentração de células que concretizam um código genético e que é modificado por experiências, que são activadas ou desactivadas por pequenas tempestades electroquímicas, de maneira que algo determinado seja sentido, pensado, dito, feito? E que as consequências exteriores disto criam uma nova tempestade interior, e uma subsequente série de sentimentos, pensamentos, verbalizações, gestos? 

Karl Ove knausgård, in No Outono

21/03/17

© Maria | Fundação Calouste Gulbenkian, 2017

"Há muitos e muitos milhares de anos, a poesia aproximou-se do homem e tão próximos ficaram, que ela se instalou no seu coração. E começaram a ver o mundo conjuntamente estabelecendo uma inseparável relação que perdurará para sempre. Poesia e homem criaram assim uma cúmplice e indissociável relação por todo o mundo, embora a História pouco se tenha disso apercebido. Hoje sabemos que haverá sempre seres humanos que a reconhecem pela substância do seu silêncio. Pelo tempo e lugar do seu rigor de ave de arribação. Pelo seu fulgor. Pelo seu perfume. Pela riqueza inesperada das suas sugestões. Com um pequeno gesto os poetas soltam o seu pólen que, levado pelas palavras vai eternamente fecundando os arcos da beleza que erguem o universo..." 
 
Manuel Hermínio Monteiro, in Rosa do Mundo: 2001 Poemas para o Futuro  

27/02/17

© Richard Kalvar/Magnum


The truth is that more I know, the more questions I have. The more questions questions I have, the more I read, and that reading creates further questions. It never stops. What I ask from the reader... is openness, warinesss of prejudice, and a willingness to travel with me to places where the ground may be rocky and the views hazy, but dispate, or perhaps because of, these difficulties, there are pleasures to be found.

Siri Hustvedt, in A Woman looking at Men Looking at Women - essays on Art, Sex, and the Mind

09/02/17

© AP | Queda do Muro de Berlim, 1989


Uma vez que a vida é movimento, acontece regularmente uma inadequação entre o que nós devemos fazer e o que queremos fazer, que se manifesta num desejo de ultrapassar os limites [molduras] que se nos põem. Se se der largas a esse desejo, surge um período de desordem antes de serem estabelecidos novos limites para a vida. É assim na vida individual, chama-se revolta adolescente, e na vida cultural, chama-se revolta de uma geração, revolução ou guerra. O que há de comum em todos estes movimentos é o anseio pela autenticidade, pelo verdadeiro, que simplesmente é o lugar em que as representações da realidade são uma e a mesma coisa. Ou por outras palavras, uma vida, uma existência, um mundo sem molduras, sem limites.


Karl Ove knausgård, in No Outono

04/02/17

© Daniela Spector, 2017


"... dou comigo a pensar no ditador, que num dia controla tudo poderosamente e que no seguinte, quando o povo se revolta, fica desmascarado e nu."

Karl Ove knausgård, in No Outono

09/01/17

© Bernardo Martins

Esse momento não foi o início de nada, nem sequer de um conhecimento, também não foi o fim de nada, e talvez fosse isso o que pensei quando estava a escavar o buraco há uns dias, que ainda estou a meio de qualquer coisa, e sempre estarei.

Karl Ove knausgård, in No Outono

04/01/17

E, antes de nos deitarmos, deveríamos repetir a oração:

Ken  Loach | I, Daniel Blake, 2016

Tenho milhas a percorrer antes de dormir.
E não abandonar os poetas nos parques.

Afonso Cruz

03/01/17

nunca se abandona a poesia


Emir Kusturica - Na Via Láctea, 2016

...
nem num parque,
nem na vida

Afonso Cruz

07/07/16

E o vento levar-nos-á...

© Abbas Kiarostami

Pergunto-me, por exemplo, por que é que ler uma poesia excita a nossa imaginação e convida a participar na sua 'realização'. Não há dúvida que a poesia, embora incompleta, se cria para alcançar uma unidade. Quando a minha imaginação se mistura com ela, a poesia torna-se minha. A poesia nunca conta histórias. Oferece uma série de imagens, Representando-as na minha memória, apoderando-me do seu código, posso aceder ao seu mistério. 

Abbas Kiarostami, in Duas ou três coisas que sei de mim 

06/07/16

© Abbas Kiarostami - Roads, 1989
Com o passar do tempo, a minha atracção por muitas coisas diminui cada vez mais. Quero dizer que já não tenho, como antes, o mesmo grau de preocupação com os meus filhos, que o meu desejo de comida é menos intenso, que o desejo de ver os amigos é menor. O que substituiu tudo isso e que se torna cada vez mais forte, embora não me atraísse na minha juventude e não percebesse nada dele, é o desejo de estar na natureza, o desejo de contemplar o céu, o Outono, as quatro estações. E muitas vezes disse aos meus amigos: esta é a única coisa que me faz recear a morte. Não o medo de morrer, mas a ideia de perder a natureza que ainda tenho, a possibilidade de contemplar no mundo. Porque o único amor que aumenta de intensidade cada dia, enquanto os outros amores perdem força, é o amor pela natureza.

Abbas Kiarostami, in Duas ou três coisas que sei de mim