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23/01/15

© Nuri Bilge Ceylan | Winter Sleep, 2014


Ao atravessar a fronteira
entre 
beleza e banalidade 
sobresai um homem 
cansado de inventar poemas.

Daniel Hevier 

12/01/15

© Nuri Bilge Ceylan | Winter Sleep, 2014


...seja porque envelheci 
ou enlouqueci 
ou porque me tornei um homem diferente
pensa o que quiseres...

Nuri Bilge Ceylan
e
Ebru Ceylan


07/01/15



"Idolatrar um homem como um deus, 
e depois revoltares-te contra ele por não ser um deus... 
Achas que é justo?" 

Nuri Bilge Ceylan
e
Ebru Ceylan

19/11/14

© Nuri Bilge Ceylan | Climas, 2006


Não posso dar-te mais do que te dou
este molhado olhar de um homem que morre
e se comove ao ver-te assim presente tão subitamente

Ruy Belo

18/11/14

© Nuri Bilge Ceylan |  For my father, 2006



Não entreis docilmente nessa noite serena, 
porque a velhice deveria arder e delirar no termo do dia;
odeia, odeia a luz que começa a morrer.

No fim, ainda que os sábios aceitem as trevas,
porque se esgotou o raio nas suas palavras, eles
não entram docilmente nessa noite serena.

Homens bons que clamaram, ao passar a última onda, como podia
o brilho das suas frágeis ações ter dançado na baia verde,
odiai, odiai a luz que começa a morrer.

E os loucos que colheram e cantaram o vôo do sol
e aprenderam, muito tarde, como o feriram no seu caminho,
não entram docilmente nessa noite serena.

Junto da morte, homens graves que vedes com um olhar que cega
quanto os olhos cegos fulgiriam como meteoros e seriam alegres,
odiai, odiai a luz que começa a morrer.

E de longe, meu pai, peço-te que nessa altura sombria
venhas beijar ou amaldiçoar-me com as tuas cruéis lágrimas.
Não entres docilmente nessa noite serena.
Odeia, odeia a luz que começa a morrer.

Dylan Thomas

08/10/14

‘liberdade, igualdade, fraternidade’

© Nuri Bilge Ceylan 

“A herança cultural europeia não se deve limitar à preservação dos seus monumentos, mas também à preservação dos seus valores fundamentais”, disse o escritor, na sua primeira visita oficial a Portugal. “E temos de ter uma discussão séria sobre esses valores fundamentais.” Orhan Pamuk, aqui.

23/11/13

© Nuri Bilge Ceylan

"Ao anoitecer, regresso a casa morto de cansaço. Olhando a direito, para as estradas e os passeios. Zangado com qualquer coisa, magoado, enraivecido. Embora a minha imaginação continue a conjurar belas imagens, nem estas se demoram no filme da minha cabeça. O tempo passa. Não há nada. Já é noite. Perdição e derrota. O que há para o jantar?
(...)
Depois estendi suavemente a mão, afastei as cortinas e, na escuridão do exterior, vislumbrei a Lua. Os outros mundos são os melhores consolos. Na Lua estavam a ver televisão. Terminei com uma laranja - era muito doce - e o meu espírito animou-se.
E então eu era o senhor de todos os mundos. Compreendem o que quero dizer, não compreendem? Cheguei a casa ao anoitecer. Cheguei a casa vindo de todas as aquelas guerras, boas, más e indiferentes; regressei inteiro e entrei numa casa aquecida. Tinha uma refeição à minha espera e enchi o estômago; as luzes estavam acesas; comi a minha fruta. Comecei até a pensar que tudo se iria resolver pelo melhor.
Depois pressionei o botão e vi televisão. Nessa altura já me sentia bem, sabem?"

Orhan Pamuk, in Outras cores - ensaios sobre a vida, a arte, os livros e as cidades

18/01/13

© Nuri Bilge Ceylan |  For my father, 2008


"Quando acordares lembra-te de mim. Eu sou aquele que te pegou na mão, e o que te acariciou os cabelos. Estavas cheio de medo e o sono não conseguia arrastar-te para dentro de ti, nem o tempo para dentro de tua mais íntima idade. Precisavas de alguém que te amparasse a cabeça e te falasse em voz alta. Tantas vozes, lembras-te? Tanto silêncio, lembras-te? Eu estava lá e só eu te ouvia." 

Manuel António Pina, in Todas as palavras

17/01/13

© Nuri Bilge Ceylan | Uzak, 2002


"A intensidade com que se é esmagado não importa,
de facto o que importa é a intensidade que nos resta
depois de sermos esmagados."


Gonçalo M. Tavares, in Uma Viagem à Índia

14/01/13


© Nuri Bilge Ceylan | Iklimler, 2006
© Nuri Bilge CeylanIklimler, 2006

2 – Versos

Os versos de Hölderlin:

“Dificilmente abandona / o seu lugar aquele que mora perto da origem.”

E o comentário de Heiddeger a estes versos:

“De modo inverso, quem facilmente abandonar o lugar comprova que não tem origem e se limita a estar presente como que por acaso.”


Gonçalo M. Tavares | "Sobre os tempos", 2013

04/01/13

© Nuri Bilge Ceylan | Istanbul, 2004


"Foi por ter levado a sério os romances da minha juventude que aprendi a levar a sério a vida." Orhan Pamuk, in O romancista ingénuo e o sentimental

19/06/12

era uma vez...

Once Upon a Time in Anatolia | Bir Zamanlar Anadolu'da, 2011

“I think the human face is the most beautiful landscape,” says Ceylan, slouching down in his chair, and rubbing a hand across his own face, a bespectacled, stubbly portrait of disappointment. “The face tells you everything. It’s the only way to get to the truth because, most of the time, the words we say are not true. We have a tendency to deceive others to protect ourselves.” Nuri Bilge Ceylan in, The Telegraph

era uma vez

Once Upon a Time in Anatolia | Bir Zamanlar Anadolu'da, 2011

“I think the human face is the most beautiful landscape”

Nuri Bilge Ceylan

07/05/12

comunicar esse amor

Nuri Bilge Ceylan | Uzak, 2002


"que me importa que batam à porta,
a solidão é uma espinha
insidiosamente alojada na garganta.
Um pássaro morto no jardim com neve.

Nada me importa; mas tu enfim me importas.
Importa, por exemplo, no sedoso
cabelo poisar estes lábios aflitos.
Por exemplo: destruir o silêncio.
Abrir certas eclusas, chover em certos campos.
Importa saber da importância
que há na simplicidade final do amor.
Comunicar esse amor. Fertilizá-lo.
«Que me importa que batam à porta...»
Sair de trás da própria porta, buscar
no amor a reconciliação com o mundo."

Fernando Assis Pacheco

03/05/12

climas

Nuri Bilge Ceylan | Climas, 2006


"Aspectos perdidos
pequenas sombras em redor de poderosa imagem.

Aquilo que
distingue a palavra ave da palavra pássaro."

João Miguel Fernandes Jorge

05/01/12

o privilégio

© Nuri Bilge Ceylan | A Winter Day on the Galata Bridge, 2007

"Entre uma infinidade de hipóteses de não teres nascido, saiu-te a sorte de teres nascido. Se te tivesse saído a "sorte grande", haveria gente que se admiraria de isso te ter acontecido. Tu mesmo dirias talvez que parecia um "sonho", que era inacreditável, que ainda não tinhas caído em ti do assombro. Mas essa sorte foi a de um número entre dezenas de milhares ou mesmo centenas. Mas teres nascido... é ter-te saído a sorte entre biliões e biliões e biliões de hipóteses negativas. Saiu-te o número inscrito numa areia do universo. Tens pois o privilégio incrível de veres o sol, as flores, os animais. De ouvires as aves e o vento. De. E todavia, como esqueces isso tão facilmente. Breve tudo se apagará em silêncio. Breve a oportunidade de estares vivo cessou. Provavelmente ninguém mais saberá que exististe. E mesmo dos que o souberem, não se saberá um dia. Num momento não muito longínquo morrerá o último homem sobre a face da Terra. Esse é, aliás, o momento da tua própria morte, porque tu és o primeiro e o último homem que nasceu. Tudo é rápido e contingente e miraculoso. Tudo é rápido e sem consequências. A única consequência és tu e a vida que viveres. Não a desperdices. Não inutilizes a fabulosa sorte que te calhou. Vê. Ouve. Pára, escuta e olha, que a morte vai a passar. E terás cumprido ao menos, para com o universo, um pouco do teu dever de gratidão". Vergílio Ferreira

22/12/11

Dir-se-ia antes uma casa...

© Nuri Bilge Ceylan | Returning Home, Ardahan, 2004


É um mundo pequeno,
habitado por animais pequenos
- a dúvida, a possibilidade da morte -
e iluminado pela luz hesitante de

pequenos astros - o rumor dos livros,
os teus passos subindo as escadas,
o gato perseguindo pela sala
o último raio de sol da tarde.

Dir-se-ia antes uma casa...

Manuel António Pina 

15/12/11

Beber a vida

© Nuri Bilge Ceylan | series "For My Father", Snowfall, 2007

"Há quem goste de
beber a vida gota a gota ou a jorros;
mas a garrafa é a mesma, não se pode
enchê-la quando se esvazia." 


Eugenio Montale

Falemos de casas

© Nuri Bilge Ceylan | Wooden house in winter, Istanbul, 2004

"Falemos de casas como quem fala da sua alma,
entre o incêndio,


junto ao modelo das searas,
na aprendizagem da paciência de vê-las erguer
e morrer com um pouco, um pouco
de beleza." 

Herberto Helder