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07/06/13

© Public Library of Cincinnati and Hamilton County, 1874


"Escrevo porque tenho uma crença pueril na imortalidade das bibliotecas e na forma como os meus livros assentam na prateleira. Escrevo porque é entusiasmante transformar todas as belezas e riquezas do mundo em palavras. Escrevo para ser feliz." 

Orhan Pamuk, in Outras cores - ensaios sobre a vida, a arte, os livros e as cidades

23/05/13

© Eduardo Gageiro | Sophia Mello Breyner Andresen 

O segredo do escritor não é a inspiração, visto que nunca é claro de onde isso vem; é a sua teimosia, a sua paciência. Parece-me que aquela maravilhosa expressão turca, «escavar um poço com uma agulha», foi inventada a pensar nos escritores.
...
Hoje, tantos anos depois, sei que tal descontentamento é a característica básica que faz de alguém escritor. Para nos tornarmos escritores, não bastam paciência e a labuta, temos primeiro de sentir o desejo de escapar às multidões, à companhia dos outros, a tudo o que faz parte da vida normal e diária, e fecharmo-nos num quarto. Desejamos ter paciência e esperança para criarmos um mundo vasto na nossa escrita. Mas o desejo de nos fecharmos num quarto é o que nos leva a agir.
...
Mas quando nos isolamos, depressa descobrimos que não estamos tão sós como pensávamos. Temos a companhia das palavras dos que nos antecederam, das histórias dos outros, dos livros dos outros, das palavras dos outros, daquilo que chamamos tradição. Acredito que a literatura é o mais valioso tesouro escondido que a Humanidade juntou durante a sua busca de autoconhecimento.

Orhan Pamuk, in Outras cores - ensaios sobre a vida, a arte, os livros e as cidades

21/05/13

© Michael Wolf | Transparent city
© Michael Wolf | Transparent city
© Michael Wolf | Transparent city

Olhar pela janela

Uma história

Se não houver nada para ver nem histórias para ouvir, a vida pode tornar-se entediante. Quando eu era criança, combatíamos o tédio ouvindo rádio ou olhando pela janela para os apartamentos da vizinhança, ou para as pessoas que passavam em baixo na rua.
(...)
Olha pela janela era um passatempo de tal forma importante que, quando a televisão chegou finalmente à Turquia, as pessoas se comportavam diante dos televisores como faziam antes diante da janela.


Orhan Pamuk, in Outras cores - ensaios sobre a vida, a arte, os livros e as cidades

19/05/13

Ora vivam! Obrigado por me lerem. Devia sentir-me feliz por estar aqui, mas não consigo deixar de me sentir confuso. Gosto da forma como o vosso olhar passa por mim. Porque a verdade é que estou aqui para vos servir. Embora não tenha a certeza do que isso significa.

Orhan Pamuk, in Outras cores - ensaios sobre a vida, a arte, os livros e as cidades 


© Wim Wenders | Pina, 2011

16/05/13


© Takeshi Kitano | Dolls, 2002
© Takeshi Kitano | Dolls, 2002

"Sou um romancista. Aprendi muito com a teoria e cheguei ocasionalmente a deixar que todos esses conhecimentos me distraíssem, mas senti amiúde a necessidade de os ignorar. Espero agora entreter-vos com umas quantas histórias e, através delas, sugerir-vos algumas ideias próprias.
Se houver um jardim nos vossos sonhos - um jardim que nunca tenham visto na vida, talvez por ficar do outro lado de um muro alto -, a melhor forma de imaginar esse jardim nunca visto é contar histórias que evoquem as vossas esperanças e receios.
Uma boa teoria, mesmo que nos tenha afectado profundamente e convencido por completo, continuará a ser a teoria de outra pessoa, não a nossa. Todavia, uma boa história, que nos tenha afectado profundamente e convencido por completo, torna-se nossa. As histórias antigas, muito antigas, são assim. Ninguém se recorda de quem as contou em primeiro lugar. Apagamos qualquer memória da forma como forma contadas pela primeira vez. De cada vez que uma dessas histórias é contada, ouvimo-la pela primeira vez. Vou agora contar-vos duas histórias assim." 

Orhan Pamuk, in Outras cores - ensaios sobre a vida, a arte, os livros e as cidades

13/05/13

© Romain Jacquet-Lagrèze

"Sabes que mais, querida? Quando estás assim triste, também eu estou triste. Sinto-me como se tivesse o instinto enterrado algures dentro de mim, no meu corpo, na minha alma; bom, algures. Quando te vejo triste, fico triste. É como se um computador dentro de mim dissesse: QUANDO VIRES QUE RUYA ESTÁ TRISTE, FICA TRISTE TAMBÉM.
Também posso ficar triste sem motivo, e de forma igualmente súbita. Posso estar a meio de um dia normal, ocupado com o frigorífico, com o papel, com os meus pensamentos ou o meu cabelo. O meu pensamento escapa-se numa tangente: «esta vida...» - mas paremos por um momento."

Orhan Pamuk, in Outras cores - ensaios sobre a vida, a arte, os livros e as cidades