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24/10/12

eu jamais seria eu

©  Fjorge | Casa de Serralves, 2007


"morreste-me. Mas a memória guarda-me o teu cheiro, as tuas mãos e o teu sorriso. Estás em nós e eu estou em ti. Eu jamais seria eu sem a tua presença constante na minha vida. Comparência que eu gostaria de poder prolongar. Mantenho a memória acesa com pedaços de imagens que me fazem sorrir. 


Deixaste-te ficar em tudo... os teus movimentos, o eclipse dos teus gestos. E tudo isto é agora pouco para te conter. Agora, és o rio e as margens e a nascente; és o dia, e a tarde dentro do dia, e o sol dentro da tarde; és o mundo todo por seres a sua pele."


José Luís Peixoto in, morreste-me

14/02/12

eu e tu

© Tino Sehgal

"Eu e tu declarámos o fim de todas as fronteiras e inseparámo-nos. Agora, somos uma única rocha, uma única montanha, somos uma gota que cai eternamente do céu, somos um fruto, somos uma casa, um mundo completo."

José Luís Peixoto


07/02/12

sinto tanto a tua falta


07.2.1935 - 09.5.2010


"Sinto tanta falta das tuas palavras.

O entardecer, em vagas de luz, espraia-se na terra que te acolheu e conserva. Chora chove brilho alvura sobre mim. E oiço o eco da tua voz, da tua voz que nunca mais poderei ouvir. A tua voz calada para sempre. E, como se adormecesses, vejo-te fechar as pálpebras sobre os olhos que nunca mais abrirás. Os teus olhos fechados para sempre. E, de uma vez, deixas de respirar. Para sempre. Para nunca mais."

José Luís Peixoto in, Morreste-me





17/01/12

somos

© Fjorge | The Hall of Mirrors by Bruce Quek  | The Substation Gallery | Singapore, 2011

"Repito para mim próprio: estamos tão perto uns dos outros. Não há nenhum motivo para acreditarmos que ganhamos se os outros perderem. Os outros não são outros porque levam muito daquilo que nos pertence e que só pode existir sendo levado por eles. Eles definem-nos tanto quanto nós os definimos a eles. Eles são nós. Eles somos nós. Se tivermos essa consciência, podemos usar todo o seu tamanho. Mesmo que pudéssemos existir sozinhos, de olhos fechados, com os ouvidos tapados, seríamos já bastante grandes, mas existe algo muito maior do que nós. Fazemos parte dessa imensidão. Somos essa imensidão que, vista daqui, parece infinita." José Luís Peixoto

16/01/12

uma casa cheia

© Maria | Porto, 2011

Os livros, esses animais sem pernas, mas com olhar, observam-nos mansos desde as prateleiras. Nós esquecemo-nos deles, habituamo-nos ao seu silêncio, mas eles não se esquecem de nós... Devemos-lhes tanto, até a loucura, até os pesadelos, até a esperança em todas as suas formas.
Os livros caem do céu, fazem grandes linhas rectas e, ao atingir o chão, explodem em silêncio. Tudo neles é absoluto, até as contradições em que tropeçam. E estão lá, aqui, a olhar-nos de todos os lados, a hipnotizar-nos por telepatia." José Luís Peixoto in, Uma Casa Cheia de Livros

13/01/12

tu és tudo

© Claude Lelouch | Un homme et une femme, 1966

"Tu és tudo aquilo que sei. Mesmo quando não estavas lá, mesmo quando eu não estava lá, aprendíamos o suficiente para o instante em que nos encontrámos. Aquilo que existe dentro de mim e dentro de ti, existe também à nossa volta quando estamos juntos. E agora estamos sempre juntos. O meu rosto e o teu rosto, fotografados imperfeitamente..." José Luís Peixoto in, Abraço 

10/01/12

escuta, ouve.

© Li Wei | Tree

"eu sei que entendes o que não sei dizer. Essa certeza é feita de vento. Eu e tu somos esse vento. Não apenas um pedaço do vento dentro do vento, somos o vento todo.
Escuta,
ouve.
Amor.
Amor."


José Luís Peixoto in, Abraço 

08/01/12

Assim...

© Emine Ceylan | series "For My Father", The Field of my Father, 2007


"não poderiam os homens morrer como morrem os dias? Assim, com pássaros a cantar sem sobressaltos..." José Luís Peixoto in, Morreste-me 

23/12/11

morreste-me


"morreste-me. Mas a memória guarda-me o teu cheiro, as tuas mãos e o teu sorriso. Estás em nós e eu estou em ti. Eu jamais seria eu sem a tua presença constante na minha vida. Comparência que eu gostaria de poder prolongar. Mantenho a memória acesa com pedaços de imagens que me fazem sorrir.
Deixaste-te ficar em tudo... os teus movimentos, o eclipse dos teus gestos. E tudo isto é agora pouco para te conter. Agora, és o rio e as margens e a nascente; és o dia, e a tarde dentro do dia, e o sol dentro da tarde; és o mundo todo por seres a sua pele."


José Luís Peixoto in, morreste-me


15/06/11

as tuas mãos

© Maria | 2011


'quando voltaste, os teus olhos as tuas mãos eram
chamas a falarem para mim'

José Luís Peixoto