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12/10/12

o silêncio desta nossa paixão

© London's South Bank / Marcos Saboya & Gualter Pupo, 2012

"Enquanto professor, alguém para quem a literatura, a filosofia, a música ou as artes são uma verdadeira substância da vida, como poderei eu exprimir a necessidade que sinto de uma lucidez moral, consciente das necessidades humanas e da injustiça que torna possível uma cultura a tal ponto elevada? As torres que nos isolam são mais sólidas do que o marfim. Não sei a resposta satisfatória para este problema.
Contudo, temos de encontrar uma resposta. Temos de a encontrar, se quisermos ser merecedores do privilégio desta nossa paixão, do milagre sempre renovado de segurar nas mãos um novo livro..." 

George Steiner in, O Silêncio dos Livros

ainda o silêncio

© Maria Friberg | still lives #3, 2004


"O silêncio passou a ser um luxo. Só os mais afortunados podem ter esperança de conseguir escapar à invasão da gigantesca parafernália tecnológica."

George Steiner in, O Silêncio dos Livros

11/10/12

o silêncio dos livros

© Wim Wenders | Wings of Desire, 1987




"Não existe neste planeta um único ser humano que não mantenha com a música um qualquer tipo de relação. A música, sob a forma do canto ou da execução instrumental, parece ser de facto universal. É a linguagem fundamental para comunicar sentimentos e significações. A maior parte das pessoas não lê livros. Porém, canta e dança."

George Steiner, in O silêncio dos livros

18/04/12

as palavras

 © Interior of the Public Library of Cincinnati and Hamilton County “Old Main” Building | J.W. McLaughlin, Architect | photographer unknown, 1874


"A palavra liga a marca visível à coisa invisível, à coisa ausente, à coisa desejada ou temida, como uma frágil ponte improvisada sobre o abismo. Por isso o uso correcto da linguagem para mim é o que permite aproximar-nos das coisas (presentes ou ausentes) com discrição, atenção e cautela, respeitando o que as coisas (presentes ou ausentes) comunicam sem palavras."


Italo Calvino in, seis propostas para o próximo milénio
[Charles Eliot Norton Poetry Lectures]



16/01/12

uma casa cheia

© Maria | Porto, 2011

Os livros, esses animais sem pernas, mas com olhar, observam-nos mansos desde as prateleiras. Nós esquecemo-nos deles, habituamo-nos ao seu silêncio, mas eles não se esquecem de nós... Devemos-lhes tanto, até a loucura, até os pesadelos, até a esperança em todas as suas formas.
Os livros caem do céu, fazem grandes linhas rectas e, ao atingir o chão, explodem em silêncio. Tudo neles é absoluto, até as contradições em que tropeçam. E estão lá, aqui, a olhar-nos de todos os lados, a hipnotizar-nos por telepatia." José Luís Peixoto in, Uma Casa Cheia de Livros

22/12/11

esta espécie de coração

© Maria | Alfarrabista no Porto, 2010


É então isto um livro,
este, como dizer?, murmúrio,
este rosto virado para dentro de
alguma coisa escura que ainda não existe
que, se uma mão subitamente
inocente a toca,
se abre desamparadamente
como uma boca
falando com a nossa voz?
É isto um livro,
esta espécie de coração (o nosso coração)
dizendo 'eu' entre nós e nós?

Manuel António Pina