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29/01/18

Como encontrar a perfeição e não a perder?

© Estelle Valente | Actores - encenação de Marco Martins, 2018

Talvez o actor seja em parte isto, mas a força vem do lado oposto, do interior, não de fora.

© Estelle Valente | Actores - encenação de Marco Martins, 2018

O ofício do actor e a sua dureza estão em palco. 
As falhas e o cansaço. De repente, a palavra que se repetiu cem vezes não sai, evaporou-se, nada na cabeça a não ser a questão: o que faço aqui? Um corpo a quem se pedia que falasse fica subitamente mudo; os medos dos actores. 


© Estelle Valente | Actores - encenação de Marco Martins, 2018


A violência de não se parar em nenhuma situação: o actor que está doente e que prossegue, que está ferido e prossegue...

Gonçalo M. Tavares, in folha de sala Actores, Teatro São Luiz, 2018

15/02/15

© Romain Veillon

"Se for andando pelas ruínas hei-de encontrar amor e mais amor."

Frederico Garcia Lorca, in O Público

08/07/14

A partilha de um segredo chamado Blarmino.

© Patrícia Almeida | Rui Catalão 
"Canções i comentários (Exmo. sr. Blarmino)", 2014


"Não existe nada mais terrível do que conhecer-se uma coisa que não se pode partilhar” diz-nos Rui," aqui.

Hoje e amanhã no Teatro Maria Matos.

01/07/14

© Patrícia Almeida | Rui Catalão 
 "Canções i comentários (Exmo. sr. Blarmino)", 2014


"Só preciso de manter-me claro e de ver como as coisas são, porque se fecho os olhos - bum - lá se vai mais um ano." Há dez anos eu descobri o escritor de canções desta geração. Como o segredo se manteve, chegou a hora de revelá-lo." aqui

Rui Catalão

07/09/13

Marco Martins | Two Maybe More, 2013

“Quantos músculos são necessários mover para que chames, a isto que eu faço, dança?”

Gonçalo M. Tavares

21/03/13

Teatro Maria Matos


"Esta peça começou a formar-se após uma série de visitas que fiz a um amigo da minha geração, que estava internado no Hospital de Oncologia, em Lisboa. O processo de incapacitação do seu corpo fê-lo regredir até ficar com a aparência de um bebé. Essa imagem completou-se na última vez em que o vi. Usava apenas uma fralda.

Erguida quando eu era ainda uma criança, a Av. dos Bons Amigos tornou-se na principal artéria da vila onde os meus pais vivem desde a infância, e onde eu nasci e cresci. Essa vila tornou-se entretanto num dos dormitórios mais assustadores nos subúrbios de Lisboa e na décima maior cidade do país.

Em Av. dos Bons Amigos, convido os espectadores dispostos em semi-círculo a experimentarem “uma hora psicológica” sem recorrerem ao relógio – será um tempo ligeiro, nem rápido, nem saturante. Fácil de suportar e difícil de digerir.

Através de anedotas, memórias pessoais, e da história recente do país, incorro numa excursão a temas que nos são comuns, mas que nos habituámos a esconder: o isolamento, as inibições a que sujeitamos o corpo, a vergonha daquilo que nos menoriza perante o que identificamos como normalidade, a relação de medo com o desconhecido. Dor, doença e pânico da morte. A dificuldade em assumir a relevância pública dos nossos pavores privados.

Com Av. dos Bons Amigos dou continuidade a uma série de “solos acompanhados” que iniciei em 2010, com Dentro das palavras, em que exploro a autobiografia e a memória como ferramentas para construir ficções em redor dessa noção tão elementar sobre o que é preciso passar até sermos crescidos. É o equivalente cénico ao que na literatura se chama Bildungsroman (romance de formação).

O termo “solo acompanhado” designa a relação com os espectadores. São eles os meus interlocutores. Condicionam o meu discurso, a razão de contar determinada história, assim como o modo de transmiti-la. Como um público é feito de individualidades, trata-se de adequar o estado de espírito que se instala. O ambiente pode oscilar entre um serão animado por um contador de histórias e uma sessão de agitação política (duas formas antiquadas de passar o tempo).

Com Av. dos Bons Amigos pretendo convocar o espetador para um espaço intermédio entre o que é público e o que é privado, e aí trilhar um caminho diferente para o sentido de pertença e de responsabilidade coletiva."

Rui Catalão

24/02/13

Onde é que julgas que vais? de Tiago Torres da Silva
com Fernanda Neves e João Passos

"Tu ouviste, no fundo da tua carne, a voz humana da solidão..."

Giorgos Seferis

23/02/13

Onde é que julgas que vais?

onde nos dói descobrir,
na companhia dos outros,
o quanto nos reclama a solidão.

Rui Pires Cabral

24/12/12

fim do aparte

© Joana Dilão | Cão Solteiro e Vasco Araújo: A Africana, 2012

B: O meu nome é Selika. Choro copiosamente. Sou só sentimento. Não me reconheço. Vou regressar a casa. Mas não sei já o que isso é. Deixei de sentir o chão por baixo dos pés. Estou a desaparecer. Eu, transparente. A minha vida é uma tragédia.
***
B: O meu nome é Selika e exijo um aparte. Voltei a casa. Voltei à razão. Voltei a reconhecer-me. E voltei a apaixonar-me. Tive de me afastar para me voltar a aproximar. É a história do meu amor por Vasco de Gama. Fim do aparte. Este homem é meu homem. É um facto. Casámos. É outro facto. É um dos nossos. Temos de ser tolerantes com a diferença. Acolher o outro de braços abertos. Porque contra factos não há argumentos."

José Vieira Mendes a partir da ópera A Africana de Giacomo Meyerbeer


Direcção Musical: Nicholas McNair | Coro Gulbenkian | Co-produção: Cão Solteiro, Maria Matos Teatro Municipal e Fundação Calouste Gulbenkian

19/12/12

mudar de vida





O teatro é (deve ser) o que seja capaz de fazer o espectador pedir:
- Dê-me um bilhete para mudar de vida.

Gonçalo M. Tavares

chama-se vida

© Joana Dilão | Cão Solteiro e Vasco Araújo: A Africana, 2012



B: Vocês aborrecem-me. Este sítio aborrece-me. Preciso de um estrangeiro a olhar para mim. Para saber que o mundo é mais do que aquilo que vemos. Preciso da estranheza para viver.
C: Foste enganada pelo discurso da diferença. São só palavras. Iguais às nossas. Que se repetem. Ele não existe. Ele não te ama. Não percebe a tua língua. Vai matar-te.
B: Já conheço o meu futuro. Sei muito bem como a história acaba. Ando nisto há muito tempo. Deixa-me aproveitar os últimos tempos. A minha doença é mortal. Chama-se vida. Vai num estado avançado. E é uma pirosada. Cheia de frases feitas. Mas estou cá para isso. Ganhei o desinteresse.
C: Perdeste o interesse.
B: Mas quem é que tu pensas que és? Quem és tu para me dizeres o que é interessante? Quem és tu para dizer quem sou eu, quando nem eu sei quem sou? Eu sou uma branca a fazer de uma preta a fazer de um preto a fazer de um branco. Onde é que tu vives?! Como é possível teres tantas certezas?
C: Porque defini bem o meu mundo. E o meu mundo não é infinito. Nem sequer é redondo. O meu mundo é quadrado.
B: Como tu."


José Vieira Mendes a partir da ópera A Africana de Giacomo Meyerbeer

Direcção Musical: Nicholas McNair | Coro Gulbenkian | Co-produção: Cão Solteiro, Maria Matos Teatro Municipal e Fundação Calouste Gulbenkian

18/12/12

nele está o mundo

© Joana Dilão | Cão Solteiro e Vasco Araújo: A Africana, 2012


"B: Estamos separados por um abismo. É um facto trágico. E eu já não te estou a ouvir. É outro facto trágico. Estás tão longe que eu nem te oiço. Nem te vejo. Nem tu a mim. Já morri. Arranquei o coração. Engoli-o. Arranquei-o outra vez. E voltei a engoli-lo. E arranquei-o outra vez. E mastiguei-o e voltei a engoli-lo. E arranquei-o outra vez. E engoli-o. E arranquei-o outra vez. Sou uma mulher a fazer de um homem a fazer de uma estrangeira a fazer de um preto a fazer de um velho a fazer de um cão a fazer de uma branca a fazer de um gato a fazer de uma árvore a fazer de uma caneta a fazer de um elefante a fazer de um braço a fazer de uma mesa a fazer de uma cama a fazer de uma ilha. Gastar todas as palavras. Estou a tentar apagar o discurso. Gastei todas as palavras. Consegui calá-las. Não sei justificar porque  faço. Mas sei o que faço. Tenho um coração mastigado nas mãos. Fim. Vou morrer. Eu, obscura. É a minha tragédia.


A: Tenho um coração mastigado na minha mão. Nele está o mundo. E eu engulo. Tudo desapareceu. Sou só eu. E eu sou ridículo."


José Vieira Mendes a partir da ópera A Africana de Giacomo Meyerbeer


Direcção Musical: Nicholas McNair | Coro Gulbenkian | Co-produção: Cão Solteiro, Maria Matos Teatro Municipal e Fundação Calouste Gulbenkian

28/10/12

os recantos mais negros

DANÇA DA MORTE de August Strindberg | Encenação de Marco Martins

“desde sempre fui movido pelo desejo intenso de explorar e encenar este clássico, que toca os aspectos mais profundos de uma relação a dois e os recantos mais negros da condição humana, marcado por múltiplos vestígios das conturbadas experiências matrimoniais do autor, que por vezes se assemelha a um estudo sobre o mal.”  Marco Martins


Man Man |  Six Demon Bag, 2006

in, Dança da Morte de August Strindberg | 
Teatro Municipal São Luiz até 17 de Novembro

26/10/12

é uma coisa séria

DANÇA DA MORTE de August Strindberg | Encenação Marco Martins | 
Com Miguel Guilherme, Isabel Abreu, Sérgio Praia 
Teatro Municipal São Luiz de 25 de Outubro a 17 de Novembro
"No outro dia li no jornal que um homem se tinha divorciado sete vezes e, consequentemente, se tinha casado também sete vezes. No final, quando já tinha noventa anos, foi a correr casar-se outra vez com a primeira mulher. É isto o amor. Nunca cheguei a perceber se a vida é uma coisa séria ou apenas uma farsa." 


 August Strindberg in, Dança da Morte 

01/10/12

uma vida inteira #2

©  Carlos Gonçalves 



“Somos uns analfabetos com as emoções. Ensinaram-nos anatomia e os métodos agrícolas em África. Sabemos fórmulas matemáticas de cor. Mas não nos ensinaram nada sobre as nossas almas. Somos tremendamente ignorantes acerca do que move as pessoas." 


Ingmar Bergman in, Cenas da vida Conjugal *

*em cena no Teatro D. Maria II até dia 28 de Outubro

uma vida inteira

©  Carlos Gonçalves 

Cenas da Vida Conjugal de Ingmar Bergman com Margarida Marinho e Adriano Luz no Teatro Nacional D. Maria II
"Levei dois meses e meio a escrever estas cenas; mas levei uma vida inteira a vivê-las”

Ingmar Bergman 


18/01/12

aproximo-me

Melodrama para dois actores & um fantasma | Rui Catalão

 "aproximo-me de falar, mas ambiciono guardar o silêncio; é duvidoso que lhe agrade a simplicidade deste paradoxo. / o seu olhar trespassa-a. a sua face é branca. protejo esse lugar onde as tuas palavras começam. " António Franco Alexandre