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18/05/16


James Blake | The Colour in Anything, 2016


pois o poema seria
uma terra cor de terra; uma maneira
de tocar as árvores, chegando aos ramos altos,
esse lugar de todos conhecido, aonde nunca fomos,
onde os pássaros sobressaltados assistem
ao crescimento.

António Franco Alexandre

06/03/15

© Albert Van Lac Sparrow, 1916

                                              as palavras existem no intervalo das palavras. 
                                           nenhuma imagem é o permanente futuro dos corpos 
                                                 quando se enlaçam, quando se sonham.

                                                         António Franco Alexandre

21/06/14

beijo-te, não é?

© Lauren Fleishman 


 nada estava escrito,
nenhuma verdade comum aos planetas,
éramos só nós sem nenhum segredo,
vivos e completos, serenos, mortais”

António Franco Alexandre 

21/01/14

não é?

© Larry Fink, 1977

“numa noite de audácia incomparável
passo a tratar-te por tu, e abraço com as pontas dos dedos
os nós das tuas mãos; no fresco calor condicionado
de um quarto onde a luz não dá para ler, recito
estrofes e mitos; beijo-te, não é? nada estava escrito,
nenhuma verdade comum aos planetas,
éramos só nós sem nenhum segredo,
vivos e completos, serenos, mortais”

António Franco Alexandre 

05/12/12

éramos só nós sem nenhum segredo

© Wong Kar-Wai | 2046


“numa noite de audácia incomparável
passo a tratar-te por tu, e abraço com as pontas dos dedos
os nós das tuas mãos; no fresco calor condicionado
de um quarto onde a luz não dá para ler, recito
estrofes e mitos; beijo-te, não é? nada estava escrito,
nenhuma verdade comum aos planetas,
éramos só nós sem nenhum segredo,
vivos e completos, serenos, mortais”


António Franco Alexandre

04/12/12

quero dizer-te

© Wong Kar-Wai | 2046


quero dizer-te: não morras.

Nem me digas quem és, quem foste, como sabes
a língua que se fala sobre a terra.
Ao lume lanço
toda a vontade de viver, ser vivo,
a cautela do ar, ardendo em torno.
Passarei, terás passado em mim, só quero
dizer-te: não morras nunca, agora, nunca mais.

António Franco Alexandre

06/11/12

debruço-me

© Arno Rafael Minkkinen
 


"De coração nas mãos

debruço-me para ver o seu corpo de árvore estremecendo ao vento Ó dá-me, melodia..."

António Franco Alexandre

23/10/12

o poema seria


© Arno Rafael Minkkinen




"pois o poema seria

uma terra cor de terra; uma maneira
de tocar as árvores, chegando aos ramos altos,
esse lugar de todos conhecido, aonde nunca fomos,
onde os pássaros sobressaltados assistem
ao crescimento."
António Franco Alexandre



17/10/12

protejo esse lugar

© Andrei Tarkovsky | The Mirror, 1975

"aproximo-me de falar, mas ambiciono guardar o silêncio; é duvidoso que lhe agrade a simplicidade deste paradoxo. / o seu olhar trespassa-a. a sua face é branca. protejo esse lugar onde as tuas palavras começam." 

António Franco Alexandre

21/09/12

um instante

© Joseph Szabo | Jones Beach, 1978-2006


"apenas um instante e as coisas mudam-se
umas nas outras enlaçadas"

António Franco Alexandre

03/08/12

e tu

© Maria
Chao Phraya River -
Chakrabongse House |  Bangkok, 2011


"convoco as mais belas coisas, e tu entre elas"

António Franco Alexandre

26/06/12

assim completo

© Wim Wenders | Pina, 2011


"quando ele criou o céu e a terra, e os deuses,
pôs este monte diante de mim,
assim completo.
mas eu não tinha corpo: era, talvez, um sopro
menos aéreo, no ar.

isto sabes que sei. o resto
é a razão de ser desta viagem..."

António Franco Alexandre

incendiar

© Jorge F. Marques | Câmara Lenta
Izumi Ueda Yuu | Installation title: 1101175503112011


"Incendiar, sim, é um processo
mais simples. Cubro a cabeça de cinza
(não de estrelas!), como se fora um aviso.
Eis-nos chegados ao fim
do mundo! É uma parede considerável, um monumento
ao saber mais antigo,

percorre-nos interiormente! E entretanto
entornamo-nos em todos os sentidos, e sei que no meio esqueço
o essencial, esse frasco de perfume
ao descer do dia? ou seria a noite? quando
as mãos ainda nos aproximavam,

o fogo era uma palavra entre todas a mais fácil,
e só, em nós, a luz vivia."

António Franco Alexandre




25/06/12

quando se enlaçam

© Maria | Singapura, 2011

"as palavras existem no intervalo das palavras.
nenhuma imagem é o permanente futuro dos corpos
quando se enlaçam, quando se sonham"

António Franco Alexandre

22/06/12

uma maneira de tocar as árvores

© Maria | Jardim Botânico - Singapura, 2011


"pois o poema seria
uma terra cor de terra; uma maneira
de tocar as árvores, chegando aos ramos altos,
esse lugar de todos conhecido, aonde nunca fomos,
onde os pássaros sobressaltados assistem
ao crescimento."

António Franco Alexandre

a poesia é

© FJorge | Jardim Botânico, Singapura, 2011

"Julgavas, então que a poesia era um discurso
de palavras em sentido?"

António Franco Alexandre

21/06/12

debruço-me

© Maria | Quinta das Corujeiras - Guimarães, 2012

"De coração nas mãos
debruço-me para ver o seu corpo de árvore estremecendo ao vento Ó dá-me, melodia..."

António Franco Alexandre

03/04/12



Divine Comedy | cover "Make it easy on yourself"

«Eu, como qualquer outro poeta imagino, vivo materialmente o que escrevo. Quer dizer, não há nenhuma emoção ou pensamento nos meus poemas que eu não tenha realmente sentido ou pensado.» António Franco Alexandre