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22/05/14

© Andrei Tarkovsky | The Mirror, 1975

"And I remember every object with fierce affection. Had I not loved my grandmother, and had she not loved my mother very well and loved me, those things would just be things. After Mormor died, I walked with my own mother outside our house in Minnesota, and she said to me that the strangest part of her mother's death was that a person who had only wanted the best for her wasn't there anymore. I recall exactly where the two of us were standing in the yard when she said it. I remember the summer weather, the slight browning of the grass from the heat, the woods at our left. It's as if I inscribed her words into that particular landscape, and the funny thing is that they are still written there for me. Not long after that conversation, I dreamed that my grandmother was alive and spoke to me. I don't remember what she said in the dream, but it was one of those dreams in which you are conscious that the person is dead but is suddenly alive and with you again."

Siri Hustvedt, in A Plea For Eros

28/01/13

© Andrei Tarkovsky | Nostalgia, 1983

"Por cima de Casteldeci há uma igreja sem tecto e as paredes têm entre os braços uma cerejeira que cresceu no chão e cujos ramos tocam o céu.
Em Abril floresce e a brancura desliza da árvore até ao fundo do vale, depois nascem os frutos e comem-nos os melros e os pássaros bravos; entretanto as folhas ficam vermelhas e uma de cada vez caem ao chão.
Se alguém assoma àquelas paredes com o desejo de pedir um milagre e há uma folha que cai nesse momento é sinal de que lá de cima terá uma resposta boa.
Tarkovsky passou lá em Novembro e precisava de fazer um pedido grande, mas as folhas já tinham caído todas e serviam de cama a duas ovelhas que dormiam." 


Tonino Guerra, O Livro Das Igrejas Abandonadas
© Filippo Palizzi , 1888

"ability to love the beauty and the ability to be absolutely free within his own vision." 


Andrei Tarkovsky & Tonino Guerra, in Tempo di viaggio, 1983

12/12/12

não sabemos mais nada

© Andrei Tarkovsky | Offret, 1986


O importante

Atrás do menino está um incêndio enorme, as chamas muito vermelhas mas também mais escuras, e altas; mesmo com a perspectiva as chamas estão ali, ao fundo, bem mais altas do que o rapaz, que deve ter uns quinze anos e já é alto. E o rapaz faz isto: põe-se todo direito, os braços ao longo do corpo, o olhar e o rosto inteiro, em pose. Quer que alguém lhe tire uma fotografia, e talvez alguém lhe faça a vontade. Mas o incêndio está duro e violento e um menino bom deveria ir buscar um balde com água - e não colocar-se em pose para a fotografia, como faz. Mas não sabemos mais nada desta história e o rapaz tem uma camisola azul, sem botões, e vê-se que é uma camisola nova - e isso é mesmo importante."

Gonçalo M. Tavares, in Short Movies

07/12/12

A celui qui a vu l'ange



Tarkovsky Quartet

François Couturier 
piano
Ania Lechner violoncello
Jean Louis Matinier accordion
Jean Marc Larché soprano saxophone
 

A celui qui a vu l'ange *
Tiapa
San Galgano
Maroussia
Mychkine
Mouchette
La passion selon Andreï
L'Apocalypse
Doktor Faustus
Sardor
La main et l'oiseau
De l'autre côté du miroir



* épitaphe gravée sur le pierre tombale de Andrei Tarkovsky

29/11/12

ver as coisas

© Andrei Tarkovsky | The Mirror, 1975

"Não ponhas o coração à frente dos olhos porque assim não vês as coisas."

Gonçalo M. Tavares

26/11/12

o tempo


© Andrei Tarkovsky | The Mirror, 1975

E ao descampado se chamava tempo
Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento 

Sophia Mello Breyner Andresen

21/11/12

tão exactas como o amor

© Andrei Tarkovsky | Ivan’s Childhood, 1962



"As instruções cénicas devem conter a objectividade pura que tem a poesia, ou seja, devem ser bonitas. E fortes. Devem ser tão exactas como o amor, esse grande alvoroço, essa inexactidão bela." Gonçalo M. Tavares

se o homem pudesse dizer o que ama


Música: J. S. Bach | St Matthew Passion, 1727 


Se o homem pudesse dizer o que ama,
Se o homem pudesse levar o seu amor pelo céu
Como uma nuvem na luz;
Se como muros que se derrubam,
Para saudar a verdade erguida no meio,
Pudesse derrubar o seu corpo para deixar só a verdade do amor,
A verdade de si mesmo;
Que não se chama glória, fortuna ou ambição,
Mas sim amor ou desejo,
Eu seria aquele que imaginava;
Aquele que com a língua, os seus olhos e as suas mãos
Proclama perante os homens a verdade ignorada,
A verdade do seu amor verdadeiro.


Luís Cernuda

e naquela noite

© Andrei Tarkovsky | The Mirror, 1975


Naquela noite, quanto tudo estava calmo, ouvi as águas rolar
continuamente, lentas sobre as margens,
Ouvi o assobio sussurrado do líquido e das areias, como que dirigindo-se a
mim, cochichando, felicitando-me,
Porque aquele que amo dormia comigo sob a mesma coberta
na noite fria,
No sossego, nos outonais raios de luar, seu rosto inclinado
sobre mim,
Seu braço em redor do meu peito, suavemente – e naquela noite
fui feliz.

Walt Whitman

17/10/12

protejo esse lugar

© Andrei Tarkovsky | The Mirror, 1975

"aproximo-me de falar, mas ambiciono guardar o silêncio; é duvidoso que lhe agrade a simplicidade deste paradoxo. / o seu olhar trespassa-a. a sua face é branca. protejo esse lugar onde as tuas palavras começam." 

António Franco Alexandre

09/10/12

'to love solitude'

© Andrei Tarkovsky | Ivan's Childhood, 1962


“Learn to love solitude – to be more alone with yourselves. The problem with young people is their carrying out noisy and aggressive actions not to feel lonely – and this is a sad thing – the individual must learn to be on his own as a child – for this doesn’t mean to be alone: it means not get bored with oneself which is a very dangerous symptom, almost a disease.”  

Andrei Tarkovsky