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10/06/14

© Maria | Fernando, 2012


Roger Scruton: É isso que é o amor. Não há nenhuma resposta clara para isso. Quando se reconhece que há alguém mais importante que nós, decidimos, se pudermos, ligar as duas vidas uma à outra. (...) Há um ponto em que a razão expira, em que as opções deixam de ser racionais. Devemos usar a razão, mas não para além do ponto em que ela perde o sentido. E claro, um casamento ou uma relação entre pessoas, obriga-nos a pensar muitas coisas. Mas chega a altura em que todas as razões pró e contra se esgotaram e só nessa altura nos rendemos à vida e ela se torna uma coisa de suprema importância, mas é a vida de um ser consciente de si próprio, não apenas um animal. (...) Ter este sentimento para com outra pessoa e estarem ambos preparados para isto, já é automaticamente viver acima dessa rotina quotidiana, sair dela e experimentar algo sublime."

09/09/13

é isso que é o amor.

Roger Scruton: "Quanto a consolações quotidianas, posso dar-vos alguns exemplos. A minha consolação principal é a minha mulher, que é o meu primeiro e principal objecto de afecto na minha vida. Ela mudou a minha vida. (...) Só recentemente tive o conforto de usufruir essa alegria noutra pessoa. (...) Já tinha sido casado mas não retirava daí consolação. Mas agora retiro. (...) Muitos aspectos, mas o mais importante talvez seja ela ser mais importante do que eu e os sentimentos dela me dizerem constantemente respeito. E isso, é claro, é uma coisa que dá grande consolação, pois significa que temos uma razão, no meio de toda a nossa experiência, temos uma razão para dizer, «deixa de pensar em ti mesmo», não é isso que é importante. 

Wim Kayzer: Por que é que ela é mais importante? 

Roger Scruton: É isso que é o amor. Não há nenhuma resposta clara para isso. Quando se reconhece que há alguém mais importante que nós, decidimos, se pudermos, ligar as duas vidas uma à outra. (...) Há um ponto em que a razão expira, em que as opções deixam de ser racionais. Devemos usar a razão, mas não para além do ponto em que ela perde o sentido. E claro, um casamento ou uma relação entre pessoas, obriga-nos a pensar muitas coisas. Mas chega a altura em que todas as razões pró e contra se esgotaram e só nessa altura nos rendemos à vida e ela se torna uma coisa de suprema importância, mas é a vida de um ser consciente de si próprio, não apenas um animal. (...) Ter este sentimento para com outra pessoa e estarem ambos preparados para isto, já é automaticamente viver acima dessa rotina quotidiana, sair dela e experimentar algo sublime.", in O Belo e a Consolação


04/09/13

O Belo e a Consolação | Yehudi Menuhin, 1999


Yehudi Menuhin: "Confesso que não tenho grande paciência para recordações, locais de recordações que são explorados por religiões, como os lugares sagrados de Jerusalém, em que as diferentes fés lutam por cada centímetro cúbico de chão sagrado cobrando de acordo com isso e... Para mim isso amesquinha a religião. Mesmo quando vi os monumentos in memoriam, judaicos e católicos, e por aí fora..., senti que era um crime contra a humanidade, uma ferida. E gostaria de incluir todos os crimes que agora ocorrem em nome de qualquer religião do mundo. E ver isso açambarcado por uma religião em particular, que procura reivindicar mártires... Não sei, poderá ser uma reacção muito pessoal e subjectiva, mas não gosto de ver bandeiras desfraldadas sobre um território. Nem bandeiras religiosas. Gostava era de ver essa memória aplicada em medidas preventivas para o futuro. Educação, mostrar às pessoas aquilo de que a natureza humana é capaz. Não uma bandeira erguida a dizer «sofremos», mas no ar a pergunta: «Como evitar que aconteçam abominações destas? Até que ponto somos responsáveis por elas?» Porque cada pessoa é, até certo ponto, responsável. Toda a gente. Nem que a responsabilidade seja infinitésima. E até todos admitirmos que, em certas circunstâncias, todos somos capazes de agir de forma terrível e nos pormos em guarda contra nós mesmos, sabermos que o que nos pode salvar, e evitarmos que aconteça." 

17/05/13



Edward WittenO Homem pensa desde sempre que a vida tem um tempo limitado. Quando o universo entrar em colapso, a temperatura aumentará cada vez mais, até nos queimar. Se o universo continuar a expandir-se as estrelas queimar-se-ão e o combustível acabará.  Acabarem as estrelas é mais grave do que acabar-se o combustível. [risos] (...). Compreendi que a escolha não era entre congelar ou queimar, mas entre o suplício do fogo e a vida evoluindo para formas inimagináveis. Optei pela segunda escolha, atraiu-me muito mais [risos].

in O Belo e a Consolação
Institute for Advanced Study, Princeton


"Numa tarde de quinta-feira, no mágico Institute For Advanced Study em Princeton, nos EUA, o chá é servido entre as 15h e as 16h30m. Um silêncio total, tanto dentro como fora do edifício. Pensar não faz barulho." 

Wim Kayzer, in O Belo e a Consolação com Edward Witten

O Belo e a Consolação com Edward Witten


Edward Witten: O conhecimento do universo é um das coisas que dá grande satisfação. Apesar das limitações, esforçamo-nos para adquirir conhecimento sobre ele. Na minha opinião, é um dos passatempos mais satisfatórios. Não sabemos se estamos próximos de uma teoria final, que nos ajude a compreender o universo. Só a tentativa de nos aproximarmos da compreensão enriquece a nossa vida.

(...)

Wim Kayzer: Quais são as palavras básicas? Não é ordenar, não é encontrar uma solução. É harmonia.

Edward Witten: Agrada-me mais a beleza e a harmonia do que ordenar, porque o universo é grande demais para se conseguir ordená-lo. Mas podemos tentar ordenar as noções básicas, mas o que realmente fazemos é alcançar beleza e harmonia. E o poder explicar e compreender mais. 
(...)
Penso que deveria ser o belo, a consolação e o respeito. Respeito pelo funcionamento do universo.