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13/11/15

© Tiago Figueiredo | Nepal


Se viajar fosse fácil, hoje tirava o dia para subir ao topo de uma montanha.

Tiago Figueiredo

03/08/15

© Tiago Figueiredo | Bombaim


A sua vida já não parecia situar-se no presente. Sempre que via uma criança, punha-se a imaginar o adulto que essa criança viria a ser. Sempre que via um velho, punha-se a imaginar a criança que esse velho fora.

Paul Auster, in Inventar a solidão

28/01/15


© Tiago Figueiredo, 2014

«mostrou-me um rochedo o primeiro sinal de que escrever é pouca coisa e que, fechado o livro, é bem maior a abundância da sombra do que o que foi possível iluminar; não porque a perfeição seja calar mas há, talvez, no fim, a paixão do amor sem vestígios, o passeio vagaroso por uma neve que cubra todas as referências e que se ofereça a si própria como a mais alusiva das nossas contemplações.»

Maria Gabriela Llansol, in Causa Amante

14/11/14

Dia 36.

© Tiago Figueiredo | Skye, 2014


Um único banco acolhe quem se queira sentar, entre a estrada e a enseada. Uma placa diz "Em memória de Donald 'Diddley' MacDonald, (1936-2010), muito amado e valorizado por esta comunidade". Sento-me. Quem seria Donald? O que fez, como viveu, como pensou? Quanto tempo passou sentado aqui, quanto amou e dedicou a Skye para merecer tão bonito e útil memorial?

Tiago Figueiredo

28/10/14

Dia 30.

© Tiago Figueiredo 


Gosto de entrar por uma estrada secundária sem saber para onde me leva, procurando isolar-me um pouco mais. Penso em quem vai para o meio da montanha, onde só se chega a pé, no que será isso sem GPS, smartphones e contas de instagram para alimentar. Uma ligação ao presente, a fruição total do redor, o aumento de consciência do eu. Percebo - já tinha percebido mas não o queria assumir - que esta não é ainda a viagem que preciso de fazer, por mais quilómetros que faça. Andamos a perder tempo com redes sociais. Andamos a deixar o tempo passar sem dar por ele. Andamos a implorar que nos anestesiem do tédio. Andamos a envelhecer e a desperdiçar talento. Se calhar já não sabemos viver doutra forma. O apelo da selva é só um gene adormecido e fácil de contentar. Tiago Figueiredo, Outubro de 2014

12/08/14

Devíamos fazer isto mais vezes

© Tiago Figueiredo | Cecília Ferreira Alves, 2014

A minha mãe detesta ser fotografada. Ontem combinámos almoçar, ela quis vir a Lisboa ter comigo. Pedi-lhe para subir ao 4º andar para a fotografar e a resposta foi surpreendentemente calma e positiva.
Foi a minha 100ª sessão do Photomaton, não de forma propositada mas apenas porque os astros se alinham sempre para estas coisas acontecerem. Acho que estava eu mais nervoso do que ela. Depois veio cá dentro ver a parede cheia de fotografias do Photomaton, sentou-se para ver o meu novo site – gostou muito – e a seguir descemos para almoçar. E foi muito bom.
Uma das melhores recordações que tenho nossa foi numa noite em que fomos os dois fazer a mudança para uma casa onde viveu, fora de Lisboa, há uns 10 anos. Chovia muito e o vento estava fortíssimo. Caiu um poste de electricidade e toda a aldeia ficou sem luz. Jantámos com velas e passámos a noite a falar. A falar e a ouvir. Devíamos fazer isto mais vezes, mãe.
Tiago Figueiredo, in Retratos Escritos