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13/11/13

Donald Keene: Japão, 1953

"Sometimes, it is true, I fear that senility may overtake me, as it has overtaken some of my friends. There is nothing more heartbreaking than look into the eyes of a close friend and see no sign of recognition."

Donal Keene, in Chornicles of my life - an american in the heart of Japan

21/01/13

© Kim Ki-Duk | Spring, Summer, Fall, Winter...and Spring;  2003

A segunda lição

Os meus leitores encontrarão no meu diário uma amostra fortuita de tudo o que encontrei no meu caminho. Algumas dessas visões permanecem ainda vivas no meu coração - uma casa isolada nas montanhas ou uma estalagem solitária cercada por um matagal, por exemplo. Anoto estas recordações na esperança de que possam desencadear uma conversa agradável entre os meus leitores, e para que possam ser úteis àqueles que calcorreiam os mesmos caminhos. Devo confessar, todavia, que as minhas recordações pouco mais são que o discurso delirante e sem nexo do sonhador e, portanto, são amigavelmente convidados a tomá-las como tal." 

Matso Bashô, in O Caminho estreito para o longínquo norte 
[numa versão de Jorge de Sousa Braga, ed. 1987]

© Ichiro Kojima, 1960

O poeta Bashô ensina que os famosos feitos
dos lideres militares ensanguentados dão em nada
enquanto o pulo de uma rã pode durar séculos.

...
Os poetas são criaturas quase sempre sem conteúdo,
homens que dizem coisas tontas e inverosímeis,
loucos e faladores que imaginam o que lhes apraz.

E no entanto, no entanto, sussurram acerca de milagres,
discorrem sobre o que os outros nem sequer suspeitam,
de modo que suas palavras ardem na escuridão, fosforescendo.

O poeta japonês Bashô ensina-me
que o que está perto pode ser assustadoramente distante e que uma jornada
para um lugar longínquo traz-nos para mais próximo de nós próprios.
...

Milan Djordjevic 

20/01/13

A primeira lição


Nesta minha forma mortal, que é constituída por uma centena de ossos e alguns orifícios, há algo a que eu chamo espírito arrebatado, na falta de um nome adequado, porque é muito mais uma veste delicada que se rasga e é arrastada pela brisa. Esse espírito fez com que eu começasse a escrever poesia, apenas para me divertir a princípio, mas a que por fim acabei por dedicar a minha vida.

(...) todos os que alcançam uma certa notoriedade em qualquer arte, possuem uma coisa em comum: um espírito para obedecer à natureza e fundir-se com ela, ao longo das quatro estações do ano. Por mais voltas que se dêem, o que o espírito vê é uma flor e aquilo que o espírito imagina, a lua. Só um espírito bárbaro vê outra coisa que não seja uma flor. Só um espírito animal imagina outra coisa que não seja a lua. A primeira lição para o artista é, por conseguinte, aprender a triunfar sobre a barbárie e a animalidade, para seguir a natureza e fundir-se com ela."  

Matso Bashô, in O Caminho estreito para o longínquo norte 
[numa versão de Jorge de Sousa Braga, ed. 1987]