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01/01/17

© Bernardo Martins


"...tudo pronto para que a luz estremeça:
o terror da beleza, isso, o terror da beleza delicadíssima..."


Herberto Helder

31/12/16

© Bernardo Martins


"...um instante oblíquo, e enriquecer e intoxicar a vida com essas misteriosas coisas roubadas." 


Herberto Helder

20/05/14

olhados pelas coisas que olhamos.

© Miller Mobley

"Aprendemos então certas astúcias, por exemplo: é preciso apanhar a ocasional distracção das coisas, e desaparecer; fugir para o outro lado, onde elas nem suspeitam da nossa consciência; e apanhá-las quando fecham as pálpebras, um momento, rápidas, e rapidamente pô-las sob o nosso senhorio, apanhar as coisas durante a sua fortuita distracção, um interregno, um instante oblíquo, e enriquecer e  intoxicar a vida com essas misteriosas coisas roubadas." 

Herberto Helder, in Servidões

16/03/14

© David Seidner, ca. 1985


até cada objecto se encher de luz e ser apanhado
por todos os lados hábeis, e ser ímpar,
ser escolhido,
e lampejando do ar à volta,
na ordem do mundo aquela fracção real dos dedos juntos
como para escrever cada palavra:
pegar ao alto numa coisa em estado de milagre: seja:
um copo de água,
tudo pronto para que a luz estremeça:
o terror da beleza, isso, o terror da beleza delicadíssima
tão súbito e implacável na vida administrativa

Herberto Helder

31/05/13


"Nunca mais quero escrever numa língua voraz
porque já sei que não há entendimento"

Herberto Helder, in Servidões

30/05/13

© Daniel Blaufuks | O Ofício de viver, 2010


"mão tão feliz de ter tocado
teu corpo atento ao meu desejo"

Herberto Helder, in Servidões

29/05/13

© Daniel Blaufuks | O Ofício de viver, 2010


"do tamanho da mão faço-lhes o poema da minha vida,
                                                       agudo e espesso"

Herberto Helder, in Servidões

28/05/13

"Mas penso que tudo isto é uma interminável preparação, uma aproximação. Porque o prestígio da poesia é menos ela não acabar nunca do que propriamente começar. É um início perene, nunca uma chegada seja ao que for. E ficamos estendidos nas camas, enfrentando a perturbada imagem da nossa imagem, assim, olhados pelas coisas que olhamos. Aprendemos então certas astúcias, por exemplo: é preciso apanhar a ocasional distracção das coisas, e desaparecer; fugir para o outro lado, onde elas nem suspeitam da nossa consciência; e apanhá-las quando fecham as pálpebras, um momento, rápidas, e rapidamente pô-las sob o nosso senhorio, apanhar as coisas durante a sua fortuita distracção, um interregno, um instante oblíquo, e enriquecer e  intoxicar a vida com essas misteriosas coisas roubadas." Herberto Helder, in Servidões

© Daniel Blaufuks | O Ofício de viver, 2010

22/05/13



até cada objecto se encher de luz e ser apanhado
por todos os lados hábeis, e ser ímpar,
ser escolhido,
e lampejando do ar à volta,
na ordem do mundo aquela fracção real dos dedos juntos
como para escrever cada palavra:
pegar ao alto numa coisa em estado de milagre: seja:
um copo de água,
tudo pronto para que a luz estremeça:
o terror da beleza, isso, o terror da beleza delicadíssima
tão súbito e implacável na vida administrativa


Herberto Helder



"A primeira impressão que Servidões provoca em quem acabou de ler o livro talvez se deixe dizer melhor numa expressão inglesa: he did it again. Mais uma vez, depois de a energia e a capacidade de inovação de A Faca Não Corta o Fogo terem assombrado os que não julgavam possível uma tal voltagem poética num autor de 80 anos, Herberto Helder repete o milagre. 

(...) 
Embora a proximidade da morte seja um tópico recorrente em Servidões, nem há aqui melancolia alguma, nem o corpo que se lê nestes poemas dá grandes sinais de decadência física. Mas a verdade é que nenhum corpo real, tivesse ele 30 ou 80 anos, pôde alguma vez plausivelmente corresponder à energia sexual desta escrita. O que é realmente digno de assombro não é tanto isso, é um cérebro de 82 anos ser capaz desta intensidade criativa." Luís Miguel Queirós, aqui.