"O
céu agrada-me pensar que é a memória de dois ou três amigos, aqueles contra
cujos lábios a partir de dentro empurraremos docemente os nossos nomes e que,
quando levam a comida à boca, sabem que é a nós que estão a alimentar. São dois
ou três amigos, aqueles só em cujos corações enfiamos achas, o clarão
atinge-lhes os olhos, pensarão: hoje a memória é como se a trouxéssemos em
braços. Não sei se quando o mar lhes vier ao espírito o ouviremos rebentar, o
certo é que por ele às vezes sobem as marés. Há ondas que se vê terem por ele
passado antes de contra os nossos corpos deflagrarem."