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28/06/14

© Saul Leiter

"A memória presenteia-nos apenas quando o presente a sacode. Não é um armazém com imagens e palavras fixas mas uma rede dinâmica de associações que nunca está parada e é sujeita a revisão sempre que recuperamos uma velha imagem ou palavras antigas."

Siri Hustvedt, in Elegia para um Americano

03/04/14

© Saul Leiter

"Todas as histórias pessoais são simples e tenebrosas. Não me comovi. Comovido já eu estava: com as coisas, comigo, com a chuva sobre a cidade."

Herberto Helder, in Os Passos Em Volta

27/09/13

© Saul Leiter


"O amor é de outro reino. (...) Da amizade, do amor, do encontro de duas pessoas que se sentem bem uma ao lado da outra, fazendo amor, falando de amor, trocando amor, conversando de amor, falando de nada, falando de pequenas histórias código de ministros com aventuras de aventuras sem ministros conversa alta e baixa de livros e de quadros de compras e de ninharias conversas trocadas em miúdos ouvindo música sem escutar música que ajuda o amor o amor precisa de ajudas de ir às cavalitas de andas de muita coisa simples amor é um segredo que deve ser alimentado nas horas vagas alimentado nas horas de trabalho nas horas mais isoladas amor é uma ocupação de vinte e quatro horas com dois turnos pela mesma pessoa com desconfianças e descobertas com cegueiras e lumineiras amor de tocar no mais íntimo na beleza de um encanto escondido recôndito (...) com prazer de alegria amor que não se sabe o que vai dar que nunca se sabe o que vai dar amor tão amor."

Ruben A, in Silêncio para 4

10/03/13

© Saul Leiter


"(é claro que aqui poderia tentar encontrar nomes verdadeiros, em vez de inventá-los, talvez até redescobrir quais eram na realidade as plantas que o meu pai me ia nomeando; mas seria fazer batota, não aceitar a derrota que eu próprio me infligia, as mil derrotas que nos infligimos e para as quais não há desforra)."

Italo Calvino, O caminho de San Giovanni

07/03/13

© Saul Leiter

Lovely, golden,
Like the moon when it awakes
In the evenings of July...

Her mouth, 
Very small and finely curver,
Was sensitive, somewhat shy,
Like the pomegranate flower;
And her eyes very far,
In some world we do not know,
They were like two valleys
With two bright lakes of crystal down below.
...
How you dance, love, how you dance!

The veils fall, and all around
The gracefulness
Of her slight and subtle body
They seem like mists made of silk.
...
She is almost naked,
And the dance goes on, goes on.
...

António Botto, in Songs | tradução de Fernando Pessoa

21/02/13

© Saul Leiter

"Vi logo o tamanho da sua solidão: tinha o tamanho do mundo. Ela era a criatura mais só do mundo. E a sua história apareceu - simples, tenebrosa - entre as nossas duas cervejas. Todas as histórias pessoais são simples e tenebrosas. Não me comovi. Comovido já eu estava: com as coisas, comigo, com a chuva sobre a cidade. Talvez houvesse uma irónica alegoria em nós os dois ali sentados diante dos belos copos frios, compreendendo ambos tão facilmente o que nos acontecia e iria acontecer que não tínhamos pressa. Poderíamos morrer ali mesmo. Esperávamos."

Herberto Helder, in Os Passos Em Volta

14/02/13

© Saul Leiter, 1945

"O meu amor não cabe num poema - há coisas assim,
que não se rendem à geometria deste mundo..."

Maria do Rosário Pedreira

08/02/13

© Saul Leiter, 1958


The vast majority of your color images are framed vertically. Can you say why you favored this perspective? Is there something about leading the viewer’s eye in a vertical rather than horizontal manner? 

- Just call me Mr. Vertical. 
© Saul Leiter | self-portrait, 1950's

Is it fair to say that you were more interested in evoking the character of New York City’s people rather than its architecture? 

- I didn’t photograph people as an example of New York urban something or other. I don’t have a philosophy. I have a camera. I look into the camera and take pictures. My photographs are the tiniest part of what I see that could be photographed. They are fragments of endless possibilities. 


Is there a philosophy or outlook that you have tried to communicate in your work? 

- I didn’t try to communicate any kind of philosophy since I am not a philosopher. I am a photographer. That’s it.

Photographers speak

07/02/13

© Saul Leiter, 1957

Esta mão é todavia surpreendente
e subitamente fora de qualquer coisa
por onde se precipita e se agarra.

Manuel António Pina
© Saul Leiter, 1947

Quem me olha desse lado
e deste lado de mim?

Manuel António Pina
© Saul Leiter | Postmen,1952

Somos seres olhados 
Quando os nossos braços ensaiarem um gesto 
fora do dia-a-dia ou não seguirem 
a marca deixada pelas rodas dos carros 
ao longo da vereda marginada de choupos 
na manhã inocente ou na complexa tarde 
repetiremos para nós próprios 
que somos seres olhados 

E haverá nos gestos que nos representam 
a unidade de uma nota de violoncelo 
E onde quer que estejamos será sempre um terraço 
                                                                a meia altura 
com os ao longe por muito tempo estudados 
perfis do monte mário ou de qualquer outro monte 
o melhor sítio para saber qualquer coisa da vida 

Ruy Belo