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| © David Lynch |
"É só disso que Lynch fala neste filme: inocência e condenação ao mesmo tempo; ser vítima de pecados e pecar ao mesmo tempo. Em Twin Peaks: Os últimos sete dias de Laura Palmer, Laura Palmer é ao mesmo tempo «boa» e «má», mas também nem uma coisa nem outra; é complexa, contraditória, real. E nós odiamos essa possibilidade nos filmes; odiamos essa merda do «ao mesmo tempo». «Ao mesmo tempo» surge-nos como uma caracterização mal-amanhada das personagens, cinema pouco claro, ausência de um ponto de vista central. (...) Mas eu defendo que a verdadeira razão para termos criticado e repudiado o ao mesmo tempo pouco claro da Laura de Lynch foi o facto de exigir que confrontássemos de uma forma compreensiva precisamente esse ao mesmo tempo pouco claro existente dentro de nós e dos nossos amigos íntimos e que torna o mundo real dos eus morais tão tenso e desconfortável, um ao mesmo tempo que vamos ao cinema tentar esquecer para conseguir ter a porra de um par de horas de alívio. Um filme que requer que essas características de nós próprios e do mundo sejam não afastadas, via sonhos, juízos ou massagens, mas reconhecidas, e não apenas reconhecidas mas utilizadas na nossa relação emocional com a própria heroína - esse filme vai deixar-nos desconfortáveis, lixados..."
David Foster Wallace, in David Lynch não perde a cabeça