Mostrar mensagens com a etiqueta georges dussaud. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta georges dussaud. Mostrar todas as mensagens

25/04/13

©  Georges Dussaud | Crónicas Portuguesas
©  Georges Dussaud | Crónicas Portuguesas


o portugal futuro é um país
aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada
e me parece que se chama sável
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e chamem elas o que lhe chamarem
portugal será e lá serei feliz
Poderá ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raiz
À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar
pode o tempo mudar será verão
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o portugal futuro

Ruy Belo

16/11/12

gratos por ele nos ter existido

© Georges Dussaud | Manuel António Pina



"Vamos todos sentir a falta dessa voz que cada manhã nos trazia a sua gaia ciência crítica, uma referência ética num tempo de ignomínias, assim como a indizível beleza do seu dizer, desse dizer em que, sempre 'por outras palavras' de que só ele tinha o segredo, o poeta cronista dizia o que as nossas palavras nunca alcançariam. Mas, até por isso mesmo, mais do que nos lamentarmos por ele ter partido, devemos estar gratos por ele nos ter existido." Sousa Dias in, Ípsilon, 16.11.2012