06/04/13

© William Eggleston

A beleza

Entre outros efeitos, a beleza, quando enfrentada, desde que não ultrapasse certos limites suportáveis, diminui o medo e a desorientação que por vezes se apoderam de um homem só. Poderás não saber onde estás, com exactidão, no mapa - quer o geográfico quer aquele, mais privado, onde te posicionas em relação aos outros - mas, pelo menos, estás frente a uma coisa bela - uma mulher, um animal, outro homem; um edifício. Não tens tudo, claro - nunca ninguém o teve -, contudo podes pelo menos garantir a ti próprio que não estás louco, e eis a prova: como alguém no lixo separa diferentes materiais - garrafas velhas de restos de comida -, tu separas o belo do que não o é. E separar é, em parte, ser lúcido.


Gonçalo M. Tavares, in Breves notas sobre o medo

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