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31/12/16

© Bernardo Martins


"...um instante oblíquo, e enriquecer e intoxicar a vida com essas misteriosas coisas roubadas." 


Herberto Helder

07/07/16

E o vento levar-nos-á...

© Abbas Kiarostami

Pergunto-me, por exemplo, por que é que ler uma poesia excita a nossa imaginação e convida a participar na sua 'realização'. Não há dúvida que a poesia, embora incompleta, se cria para alcançar uma unidade. Quando a minha imaginação se mistura com ela, a poesia torna-se minha. A poesia nunca conta histórias. Oferece uma série de imagens, Representando-as na minha memória, apoderando-me do seu código, posso aceder ao seu mistério. 

Abbas Kiarostami, in Duas ou três coisas que sei de mim 

06/07/16

© Abbas Kiarostami - Roads, 1989
Com o passar do tempo, a minha atracção por muitas coisas diminui cada vez mais. Quero dizer que já não tenho, como antes, o mesmo grau de preocupação com os meus filhos, que o meu desejo de comida é menos intenso, que o desejo de ver os amigos é menor. O que substituiu tudo isso e que se torna cada vez mais forte, embora não me atraísse na minha juventude e não percebesse nada dele, é o desejo de estar na natureza, o desejo de contemplar o céu, o Outono, as quatro estações. E muitas vezes disse aos meus amigos: esta é a única coisa que me faz recear a morte. Não o medo de morrer, mas a ideia de perder a natureza que ainda tenho, a possibilidade de contemplar no mundo. Porque o único amor que aumenta de intensidade cada dia, enquanto os outros amores perdem força, é o amor pela natureza.

Abbas Kiarostami, in Duas ou três coisas que sei de mim 


05/07/16

um problema de desassossego...

© Abbas Kiarostami | Roads of Kiarostami, 2006

Fiz muitas coisas ao longo da minha vida e utilizei vários instrumentos: a pintura, o grafismo, a publicidade, a televisão, o cinema, a fotografia e o vídeo, a poesia. Até teatro fiz. Aliás, poderia acrescentar mais coisas a esta lista. Por exemplo, acerta altura da minha existência fui carpinteiro, quando decidi construir sozinho os móveis da minha casa, disso pouca gente sabe. Acho que tudo isso tem a ver com um problema de desassossego...

Abbas Kiarostami, in Duas ou três coisas que sei de mim 

© Sholeh Zahraei - Abbas Kiarostami


Temos um ditado persa que diz, quando alguém olha com verdadeira intensidade: 
"Tinha dois olhos e pediu mais dois emprestados."

Abbas Kiarostami
in Duas ou três coisas que sei de mim 

27/06/16

Hans Holbein the Younger | The Ambassadors, 1533

Teho Teardo e Blixa Bargeld | Nerissimo, 2016


07/06/16

© Bernardo Martins, 2015



A imensidade vazia das coisas, o grande esquecimento que há no céu e na terra...

Fernando Pessoa, in Livro do desassossego

02/06/16

 © Newsha Tavakolian | Magnum photos - Tehran, Iran. 2014


Mahud, climbing the wall of the abandoned empty swimming pool, which is the only quiet place he can find to practice his singing. 

30/05/16

...
Sade | Lovers Rock, 2000


...
De mão dada contigo entro por mim dentro
...

Fernando Assis Pacheco

18/05/16


James Blake | The Colour in Anything, 2016


pois o poema seria
uma terra cor de terra; uma maneira
de tocar as árvores, chegando aos ramos altos,
esse lugar de todos conhecido, aonde nunca fomos,
onde os pássaros sobressaltados assistem
ao crescimento.

António Franco Alexandre

16/05/16

© Bernardo Martins, 2015

- Se o mundo fosse feio, chegávamos sempre a horas, é o que lhe digo, Excelência.

Gonçalo M. Tavares

12/05/16


Tuxedomoon | Holy Wars, 1985


Feliz aquele que administra sabiamente a tristeza e aprende a reparti-la pelos dias.

Ruy Belo

29/04/16

© Robert Whitman | Prince - Minneapolis, 1977


Voices, loved and idealized,
of those who have died, or of those
lost for us like the dead.
Sometimes they speak to us in dreams;
sometimes deep in thought the mind hears them.
And with their sound for a moment return
sounds from our life’s first poetry—
like music at night, distant, fading away

C.P. Cavafy 

25/04/16

© Ana Hatherly | 25 de Abril de 1974, Lisboa

e "(...) de súbito, o mundo abriu-se, e o horror, que parecia irremediável e sempiterno, desmoronou-se de um momento para o outro sob os nossos olhos, deixando à vista o tamanho, desmesurado como nunca, da esperança.
Foram breves e deslumbradas horas, e talvez tenha valido a pena ter vivido só por elas. Nunca, como nesse dia, estivemos tão próximos uns dos outros nem fomos tão frágeis e vulneráveis. (...) E só tínhamos uma palavra desconhecida para o que os nosso olhos viam e o nosso coração sobressaltadamente experimentava: «liberdade». Murmurávamo-la para nós mesmos e gritávamo-la uns para os outros como quem revela um segredo longo tempo reprimido, descobrindo alvoraçadamente algo novo e espantoso: não tínhamos medo."

Manuel António Pina, in Por outras palavras & mais crónicas de jornal

23/04/16

Os Espacialistas | O Palácio vai nú, 2016 

...
de um mundo indiscutível e inexplicado
de um mundo sem bem-viver mas cheio de alegria de viver
de um mundo sóbrio e ébrio
de um mundo triste e alegre
terno e cruel
real e surreal
aterrorizante e divertido
nocturno e diurno
vulgar e insólito
belo como tudo.

Jacques Prévert