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05/07/16

um problema de desassossego...

© Abbas Kiarostami | Roads of Kiarostami, 2006

Fiz muitas coisas ao longo da minha vida e utilizei vários instrumentos: a pintura, o grafismo, a publicidade, a televisão, o cinema, a fotografia e o vídeo, a poesia. Até teatro fiz. Aliás, poderia acrescentar mais coisas a esta lista. Por exemplo, acerta altura da minha existência fui carpinteiro, quando decidi construir sozinho os móveis da minha casa, disso pouca gente sabe. Acho que tudo isso tem a ver com um problema de desassossego...

Abbas Kiarostami, in Duas ou três coisas que sei de mim 

© Sholeh Zahraei - Abbas Kiarostami


Temos um ditado persa que diz, quando alguém olha com verdadeira intensidade: 
"Tinha dois olhos e pediu mais dois emprestados."

Abbas Kiarostami
in Duas ou três coisas que sei de mim 

01/06/16

Newfoundland.

© Arno Rafael Minkkinen

The silence was not oppressive; it was open.
But not to us, I thought for some reason. The silence had always been likethishere, long before people existed and would remain so long after they had disappeared. Lying here in this mountain bowl, with the sea spread out before it.
Where did it end actually? America? Canada?
Yes, that had to be it. Newfoundland.

Karl Ove knausgård, in My Struggle: 4 - Dancing in the dark

16/05/16

© Bernardo Martins, 2015

- Se o mundo fosse feio, chegávamos sempre a horas, é o que lhe digo, Excelência.

Gonçalo M. Tavares

06/05/16

Cardo-Roxo

Não existe neste planeta um único ser humano que não mantenha com a música um qualquer tipo de relação. A música, sob a forma do canto ou da execução instrumental, parece ser de facto universal. 

George Steiner

28/03/16

© Edward Honaker

Não tens tudo, claro - nunca ninguém o teve -, contudo podes pelo menos garantir a ti próprio que não estás louco, e eis a prova: como alguém no lixo separa diferentes materiais - garrafas velhas de restos de comida -, tu separas o belo do que não o é. E separar é, em parte, ser lúcido.

Gonçalo M. Tavares, in Breves notas sobre o medo

07/03/16

© Elliott Erwitt/Magnum Photos, 1955


Só começamos a estar vivos quando deixa de ser fácil.


Gonçalo M. Tavares, 
in 
Breves notas sobre ciência, o medo e as ligações

01/03/16

© Arno Rafael Minkkinen

A idade pode não me ter ensinado grande coisa, mas há algo que eu sei que me ensinou: se andarmos com um lápis no bolso, há uma forte possibilidade de, um dia, nos sentimos tentados a começar a usá-lo.

Como gosto de dizer aos meus filhos, foi assim que me tornei escritor.


Paul Auster, in Experiências com a verdade

09/02/16

© Stuart Franklin

Mal sabia que cada traço daquela paisagem e cada ser humano que a habitava ficariam em mim como recordações permanentes, com a nitidez e a exactidão de uma espécie de ouvido absoluto da memória.

Karl Ove knausgård, in A minha luta: 3 - A ilha da infância

07/02/16

© Jonas Bendiksen/Magnum Photos


... sentada na soleira da tua porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada sabias e por onde nunca viajarias, para o silêncio dos campos e das árvores assombradas, e disseste, com a serenidade dos teus noventa anos e o fogo de uma adolescência nunca perdida: «O mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer.» Assim mesmo. Eu estava lá.

José Saramago, in As Pequenas Memórias

04/02/16


Tindersticks | The waiting room, 2016


"(...) sim, sempre com a minha mão no teu ombro, agarrados um ao outro, apoiando-nos um ao outro, fugimos, como dois amantes solitários e desesperados neste universo aterrador e cheio de fealdade, que só o amor permite enfrentar, e pronto, deixamos tudo para trás de nós, caminhamos sob as árvores, pelas ruas vazias, silenciosas e melancólicas, olhamos para as luzes coloridas dos restaurantes e dos cafés, ao longe, e falamos, com um entendimento mútuo vindo do fundo do coração, como dois apaixonados de quem o mundo inveja não só o amor mas também a profunda amizade (...)".

Orhan Pamuk, in A casa do silêncio

01/02/16

© Richard Linklater


Quando voltei a mim, ouvia-se ao longe "More Than This" dos Roxy Music: olhei para o tecto da tenda e, por algum motivo que não compreendia, mas aceitei, senti-me mais feliz que nunca.

Karl Ove knausgård, in A minha luta: 3 - A ilha da infância


27/01/16

© Harry Gruyaert


Não vou defender as escolhas que fiz. Se não foram práticas, a verdade é que eu não queria ser prático. O que eu queria era experiências novas. Queria sair para o mundo e pôr-me à prova, saltar de uma coisa para outra, explorar o mais que pudesse. E desde que mantivesse os olhos abertos, achava que, independentemente do que me acontecesse, seria útil e ensinar-me-ia coisas que nunca conhecera antes. Isto poderá parecer um procedimento um bocado antiquado, e talvez tenha sido. Jovem escritor despede-se da família e dos amigos e parte para lugares desconhecidos para descobrir de que é feito. Para o melhor ou para o pior, duvido que qualquer outro caminho tivesse sido conveniente para mim. Tinha energia, uma cabeça fervilhante de ideias e pés ansiosos por andar. Dado o tamanho do mundo, a última coisa que desejava era jogar pelo seguro.

Não me custa descrever estas coisas e recordar como me fizeram sentir. A complicação só começa quando pergunto por que motivo as fiz e senti o que senti.

Paul Auster, in Da mão para a boca

15/01/16

© Fernando M. | Este nosso mundo, 2011

Compreender o mundo exige que se mantenha uma certa distância dele. Ampliamos coisas que são demasiado pequenas para serem vistas a olho nu, como moléculas e átomos. Reduzimos coisas que são demasiado grandes, como nuvens, deltas e constelações. Só fixamos o mundo quando o temos ao alcance dos nossos sentidos. A essa fixação chamamos conhecimento. Durante a nossa infância e juventude lutamos para manter a distância correcta das coisas e dos fenómenos. Lemos, aprendemos, experimentamos, corrigimos. Então, um dia, chegamos ao ponto em que todas as distâncias necessárias foram determinadas, todos os sistemas foram estabelecidos. É aí que o tempo começa a acelerar. Já não encontra qualquer obstáculo, está tudo determinado, o tempo passa rapidamente pelas nossas vidas, os dias sucedem-se num piscar de olhos, e, antes que nos apercebamos do que está acontecer, temos quarenta, cinquenta, sessenta anos...

Karl Ove knausgård, in A minha luta: 1- A morte do pai

22/12/15

© Martin Parr / Magnum Photos, 1975

Viver fora de si, por estar mais além de si mesmo. Viver disposto ao voo, pronto para qualquer partida.

María Zambrano

21/12/15

Zaza Urushadze | Tangerines, 2013


Porque a amizade (já o disse antes) não é uma dádiva do céu, é uma espécie de tesouro escondido onde só se alcança depois de ter vencido caminhos e tempestades, e ter enfrentado monstros e gigantes, e ter atravessado florestas e subido montanhas, mil vezes soçobrando e mil vezes recomeçando de novo a partir da solidão e do exílio. 

Manuel António Pina, in Por outras palavras 

17/12/15

© René Groebli

"assim descobrirá a beleza de partes do seu corpo às quais não prestava atenção até agora, e ficará surpreendida com isso."

Junichiro Tanizaki in, A Confissão Impudica

09/11/15

"Mev-lut!"

It was a voice full of love, the voice of someone who had read the letters he'd sent during his military service, a trusting voice. Mevlut remembered those letters now, hundreds of them, each written with genuine love and desire; he remembered how he had devoted his entire being to winning over that beautiful girl, and the scenes of hapiness he'd conjured in his mind. Now, at last, he'd managed to get the girl. He couldn't see much, but in that magical night, he drew like a sleepwalker toward the sound of her voice.
...
© Philippe Halsman

...
Mevlut got out and walked toward the back in the darkness. As he was shutting the door on the girl, there was a flash of linhtning, and for a moment, the sky, the mountains, the rocks, the trees - everything around him - lit up like a distant memory. For the first time, Mevlut got a proper look at the face of the woman he was to spend a lifetime with.

He would remember the utter strangeness of thar moment for the rest of his life.

Orhan Pamuk, in A Strangeness in My Mind

03/11/15

 © Martin Parr / Magnum Photos, 1975


Só de vez em quando os seus pensamentos perdiam-se num nevoeiro de suave melancolia.

Robert Musil