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05/06/17


Eu procuro dizer como tudo é outra coisa.

Herberto Helder

01/01/17

© Bernardo Martins


"...tudo pronto para que a luz estremeça:
o terror da beleza, isso, o terror da beleza delicadíssima..."


Herberto Helder

31/12/16

© Bernardo Martins


"...um instante oblíquo, e enriquecer e intoxicar a vida com essas misteriosas coisas roubadas." 


Herberto Helder

26/10/15

© Toby Harvard

Não me comovi. Comovido já eu estava: com as coisas, comigo, com a chuva sobre a cidade.


Herberto Helder

28/04/15

© Gavin Bond | Michael C Hall

...
Alguém viera do mar.
Alguém chegara do estrangeiro, coberto de pó.
Alguém lera livros, poemas, profecias, mandamentos,
inspirações.
...
Herberto Helder

27/03/15

© Bernardo Martins


Porque somos como as árvores, presos a um lugar, respirando através de uma lei calma e perene.

Herberto Helder

26/03/15

© Erich Hartmann

Como uma espécie de remorso, há a lembrança de um quarto nu, longe, num país estrangeiro. Lá onde esteve quase a morrer de fome. De solidão. Uma vez acordou de madrugada a gritar. Imaginou, num lampejo terrível, que acabava de enlouquecer. Durante o sono, a solidão passada e presente acumulara-se nele e gerara loucura.

Herberto Helder, in Os Passos Em Volta

25/03/15

© Constantine Manos

li algures que os gregos antigos...
quando alguém morria perguntavam apenas:
tinha paixão?
quando alguém morre também quero saber da qualidade da sua paixão:
se tinha paixão pelas coisas gerais,
água,
música,
pelo talento de algumas palavras para se moverem no caos,
pelo corpo salvo dos seus precipícios com destino à glória,
paixão pela paixão,
tinha?

e então indago de mim se eu próprio tenho paixão,
se posso morrer gregamente,
que paixão?


os grandes animais selvagens extinguem-se na terra,
os grandes poemas desaparecem nas grandes línguas que desaparecem,
homens e mulheres perdem a aura
na usura,
no comércio,
na indústria,
dedos conexos, há dedos que se inspiram nos objectos à espera,
trémulos objectos entrando e saindo
dos dez tão poucos para tantos
objectos do mundo
e o que há assim no mundo que responda á pergunta grega,
pode manter-se a paixão como fruta comida ainda viva,
e fazer depois com sal grosso uma canção curtida pelas cicatrizes,
palavra soprada a que forno com que fôlego,
que alguém perguntasse: tinha paixão?

Herberto Helder
1930-2015

20/05/14

olhados pelas coisas que olhamos.

© Miller Mobley

"Aprendemos então certas astúcias, por exemplo: é preciso apanhar a ocasional distracção das coisas, e desaparecer; fugir para o outro lado, onde elas nem suspeitam da nossa consciência; e apanhá-las quando fecham as pálpebras, um momento, rápidas, e rapidamente pô-las sob o nosso senhorio, apanhar as coisas durante a sua fortuita distracção, um interregno, um instante oblíquo, e enriquecer e  intoxicar a vida com essas misteriosas coisas roubadas." 

Herberto Helder, in Servidões

03/04/14

© Saul Leiter

"Todas as histórias pessoais são simples e tenebrosas. Não me comovi. Comovido já eu estava: com as coisas, comigo, com a chuva sobre a cidade."

Herberto Helder, in Os Passos Em Volta

16/03/14

© David Seidner, ca. 1985


até cada objecto se encher de luz e ser apanhado
por todos os lados hábeis, e ser ímpar,
ser escolhido,
e lampejando do ar à volta,
na ordem do mundo aquela fracção real dos dedos juntos
como para escrever cada palavra:
pegar ao alto numa coisa em estado de milagre: seja:
um copo de água,
tudo pronto para que a luz estremeça:
o terror da beleza, isso, o terror da beleza delicadíssima
tão súbito e implacável na vida administrativa

Herberto Helder

31/05/13


"Nunca mais quero escrever numa língua voraz
porque já sei que não há entendimento"

Herberto Helder, in Servidões

30/05/13

© Daniel Blaufuks | O Ofício de viver, 2010


"mão tão feliz de ter tocado
teu corpo atento ao meu desejo"

Herberto Helder, in Servidões

29/05/13

© Daniel Blaufuks | O Ofício de viver, 2010


"do tamanho da mão faço-lhes o poema da minha vida,
                                                       agudo e espesso"

Herberto Helder, in Servidões

28/05/13

"Mas penso que tudo isto é uma interminável preparação, uma aproximação. Porque o prestígio da poesia é menos ela não acabar nunca do que propriamente começar. É um início perene, nunca uma chegada seja ao que for. E ficamos estendidos nas camas, enfrentando a perturbada imagem da nossa imagem, assim, olhados pelas coisas que olhamos. Aprendemos então certas astúcias, por exemplo: é preciso apanhar a ocasional distracção das coisas, e desaparecer; fugir para o outro lado, onde elas nem suspeitam da nossa consciência; e apanhá-las quando fecham as pálpebras, um momento, rápidas, e rapidamente pô-las sob o nosso senhorio, apanhar as coisas durante a sua fortuita distracção, um interregno, um instante oblíquo, e enriquecer e  intoxicar a vida com essas misteriosas coisas roubadas." Herberto Helder, in Servidões

© Daniel Blaufuks | O Ofício de viver, 2010

22/05/13



até cada objecto se encher de luz e ser apanhado
por todos os lados hábeis, e ser ímpar,
ser escolhido,
e lampejando do ar à volta,
na ordem do mundo aquela fracção real dos dedos juntos
como para escrever cada palavra:
pegar ao alto numa coisa em estado de milagre: seja:
um copo de água,
tudo pronto para que a luz estremeça:
o terror da beleza, isso, o terror da beleza delicadíssima
tão súbito e implacável na vida administrativa


Herberto Helder



"A primeira impressão que Servidões provoca em quem acabou de ler o livro talvez se deixe dizer melhor numa expressão inglesa: he did it again. Mais uma vez, depois de a energia e a capacidade de inovação de A Faca Não Corta o Fogo terem assombrado os que não julgavam possível uma tal voltagem poética num autor de 80 anos, Herberto Helder repete o milagre. 

(...) 
Embora a proximidade da morte seja um tópico recorrente em Servidões, nem há aqui melancolia alguma, nem o corpo que se lê nestes poemas dá grandes sinais de decadência física. Mas a verdade é que nenhum corpo real, tivesse ele 30 ou 80 anos, pôde alguma vez plausivelmente corresponder à energia sexual desta escrita. O que é realmente digno de assombro não é tanto isso, é um cérebro de 82 anos ser capaz desta intensidade criativa." Luís Miguel Queirós, aqui.

14/03/13

© Bruno A. L. Martins | Revista Textos e Pretextos nº 17

Minha cabeça estremece com todo o esquecimento.
Eu procuro dizer como tudo é outra coisa.
Falo, penso.
Sonho sobre os tremendos ossos dos pés.
É sempre outra coisa,
uma só coisa coberta de nomes.
...
Herberto Helder

03/03/13

Fernando, 1970

"Contaram-me que ele tinha uma alegria tão grande que não podia agarrar num copo: quebrava-o com a força dos dedos, com a grande força da sua alegria." 

Herberto Helder