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30/11/13

atlas do corpo e da imaginação


Gonçalo M. Tavares & Os Espacialistas


O Corpo no MétodoO Corpo no MundoO Corpo no CorpoO Corpo na Imaginação

07/09/13

Marco Martins | Two Maybe More, 2013

“Quantos músculos são necessários mover para que chames, a isto que eu faço, dança?”

Gonçalo M. Tavares

12/06/13

© Raquel Caiano
© Raquel Caiano 

"Para o Senhor Valéry férias são os momentos em que ninguém lhe pode exigir decisões. O difícil é encontrar a casa ideal para descansar." 

Gonçalo M. Tavares, in "A casa de férias do Sr. Valéry"

27/05/13



"Como esperar aquilo que em breve nos trará o espanto?"


Gonçalo M. Tavares 
in Breves notas sobre as ligações (Llansol, Molder e Zambrano)*

* "Este livro é obviamente dedicado a María Zambrano, Maria filomena Molder e Mara Gabriela Llansol, três escritoras cuja leitura exige de nós uma resposta, um movimento pararlelo, uma deslocação."

12/05/13

Júlio Resende | Silêncio - For the Fado


"Como Gonçalo M. Tavares escrevia há dias; «(...) neste concerto, sem voz, nesse lugar do meio, no centro, a levantar-se a partir do essencial, está o piano e, como existe caminho, avança-se». E o Júlio...avançou." 


Ontem foi assim, na companhia de Matt Penman, aqui.

10/05/13

© Maria | Lisboa, 09.05.2013 

"A leitura é uma máquina de fazer pensar. Mergulhar na leitura e depois levantar os olhos. 

O momento em que levantamos a cabeça é o momento que fundou outros livros, filmes... 
Metade do mundo começou aí, nesse exacto momento." 

Gonçalo M. Tavares, ontem e aqui.
© Maria | Sala Luís de Freitas Branco, CCB

Ontem foi assim, "uma cambada de mortais..."

24/04/13



O gatinho


Havia um gato que todos os fins de tarde se aproximava do dono e lhe lambia os sapatos com a sua língua minúscula.
Vencendo uma certa timidez e uma certa precaução higiénica, o homem um dia decidiu descalçar-se para observar se o gato lhe lambia os pés como fazia aos sapatos.
Foi ai que o tigre, que se disfarçava de gato durante anos, decidiu que era o seu momento, e em vez de lamber, comeu.

Gonçalo M. Tavares, in O senhor Brecht

21/04/13



"Walser conhecia, embora não profundamente, os homens - o bastante para não ter ilusões exageradas. Por isso comprara já o seu machado, de dimensões significativas, bem guardado é certo (quase escondido) num dos compartimentos da casa de mais difícil acesso, pois tal objecto era para Walser uma quase indesculpável infiltração de agressividade num espaço - o seu - que fora construído para atrair o oposto: a cordialidade, o aperto de mão entre dois homens que se entendem depois de uma longa conversa argumentada, um abraço comovido de uma despedida e, eventualmente, quem sabe - Walser ainda mantinha essa esperança -, um beijo apaixonado, o encontrar de uma companhia definitiva".

Gonçalo M. Tavares, in O senhor Walser

19/04/13

© Gerhard Richter 

"O amor faz nascer as coisas, une os elementos que antes viviam separados e deposita-lhes, de modo sagrado mas instantâneo, o movimento." 

Gonçalo M. Tavares, in Histórias falsas

16/04/13


5ª Conferência do Senhor Eliot
Explicação de um verso de W.H. Auden

O jardim não mudou, o silêncio está intacto
...
O homem prático pede que o avisem quando alguma coisa muda. Um poeta como Auden, ao contrário, insiste em avisar o mundo de que algumas coisas não mudam e que esse é, afinal, o seu fascínio.

Gonçalo M. Tavares, in O Senhor Eliot e as conferências

15/04/13

Aldina Duarte | A Cantar e a Contar



O senhor Henri disse: se um homem misturar absinto com a realidade obtém uma realidade melhor.
... podem crer, excelentíssimos ouvintes, que vos falo, não por via de uma erudição, que sem dúvida alguma possuo em grandes quantidades; mas não, não é por aí que a minha voz vem.
... a minha voz vem com a experiência, caros concidadãos!
... é verdade que se um homem misturar absinto com a realidade fica com uma realidade melhor.
... mas também é certo que se um homem misturar absinto com a realidade fica com um absinto pior.
... muito cedo tomei as opções essenciais que há a tomar na vida - disse o senhor Henri.
... nunca misturei o absinto com a realidade para não piorar a qualidade do absinto.


Gonçalo M. Tavares, in O senhor Henri

13/04/13

© Mary Ellen Bartley



O sol

Calvino tinha nas mãos um livro cuja capa estava já por completo desbotada pelo sol. O que antes era uma cor verde-escura estava agora transformada num verde tranquilíssimo, quase transparente.
(...)
Era tempo de alguém agir. Era tempo de alguém retribuir esse toque carinhoso que em certos dias a luz do sol projecta no rosto do homem, tranquilamente, mas como que o salvando de uma grande tragédia, do desespero, por vezes do suicídio.

Gonçalo M. Tavares, in O Senhor Calvino e o passeio


1ª Conferência do senhor Eliot
Explicação de um verso de Cecília Meireles

Vem ver o dia crescer entre o chão e o céu

Trata-se, em primeiro lugar, poderemos pensar, de uma mentira. O dia não cresce. Porém, as coisas não são assim tão simples.


Gonçalo M. Tavares, in O Senhor Eliot e as conferências

© Mary Ellen Bartley



A janela

Uma das janelas de Calvino, a com melhor vista para a rua, era tapada por duas cortinas que, no meio, quando se juntavam, podiam ser abotoadas. Uma das cortinas, a do lado direito, tinha botões e a outra, as respectivas casas.
Calvino, para espreitar por essa janela, tinha primeiro de desabotoar os sete botões, um a um. Depois sim, afastava com as mãos as cortinas e podia olhar, observar o mundo. No fim, depois de ver, puxava as cortinas para a frente da janela, e fechava cada um dos botões. Era uma janela de abotoar.
Quando de manhã abria a janela, desabotoando, com lentidão, os botões, sentia nos gestos a intensidade erótica de quem despe, com delicadeza, mas também com ansiedade, a camisa da amada.
Olhava depois da janela de uma outra forma. Como se o mundo não fosse uma coisa disponível a qualquer momento, mas sim algo que exigia dele, e dos seus dedos, um conjunto de gestos minuciosos.
Daquela janela o mundo não era igual.

Gonçalo M. Tavares, in O Senhor Calvino e o passeio

12/04/13



Assim, com os olhos, o nariz e os ouvidos tapados o senhor Juarroz podia pensar à vontade, sem qualquer interferência do exterior.
Antes de entrar por completo nos seus pensamentos, o senhor Juarroz dizia ainda, para quem o quisesse ouvir:
- Agora, por favor, não se aproximem de mim. Acima de tudo não me toquem. Não estraguem tudo.
E com a venda nos olhos, o algodão nos ouvidos, e a mola no nariz, o senhor Juarroz, tendo o cuidado de manter as mãos no ar para não tocar em nada, tinha então momentos de pura felicidade de pensamento.
Como gosto do mundo, murmurava.

Gonçalo M. Tavares, in O Senhor Juarroz

11/04/13



Quase arriscaria a dizer que há homens que são mais orgulhosos do que outros porque engoliram certos versos. E se isto existe - e acredito que sim, senhor Breton -, se isto existe é porque os versos, quando digeridos, se decompõem em fragmentos que esquecemos, mas também numa energia que nos torna bípedes mais lúcidos. Como se a nossa cabeça estivesse mais perto de tocar o sol.
Será isso, senhor Breton?

Gonçalo M. Tavares, in O Senhor Breton e a entrevista