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11/02/18


Johann Johannsson | Orphée, 2016


...
E sentia-se cada vez mais leve
Ninguém reparou como sorria, de olhos postos no céu.
E depois, um dia…
As pessoas já não sabiam se era alguém que morria, ou alguém que nascia.
Mas uma coisa era certa, ninguém se importaria de partir assim.

Regina Pessoa

13/12/14

© Maria | Casa Museu de Vilar, Dez. 2014


Nasci numa casa com gaiolas brancas
espalhadas pelo Verão
Era o meu pai vivo e o meu avô estival
entrava pela hora mais terna
enquanto encarregado das gaiolas
e a minha infância inteira decrescia
no canto da casa dos pássaros

O alpendre era de uma inclinação natural
com avô e pássaros encostados à sombra dos álamos
e as gaiolas casas que os abrigavam
do frio, da fome e dos gatos bravos
A minha alegria era quente como a terra
e contava ensinar ao meu filho bisneto
a tracção pelos grilos, caracóis
e pintassilgos na doçura das borboletas...


Tiago Patrício, in O Livro das Aves

09/11/13

A voice that made all the angels of eternity sound... tone deaf.

© Eddie White & Ari Gibson | The Cat Piano, 2009
© Eddie White & Ari Gibson | The Cat Piano, 2009

12/03/13

© Marjane Satrapi | Persepolis, 2007
© Marjane Satrapi | Persepolis, 2007


"In your life you have to experience things; you have to see things. What is the interest of life if you’re always scared and you don’t see anyone and don’t go anywhere? What is the point in living? Just eating and shitting and making money? The interest of life is somewhere else." 

Marjane Satrapi

02/02/13


John Kahrs | Paperman, 2012


"A poesia nasce e faz-se aqui neste fazer-se poesia
aqui onde a poesia toma as proporções da mensagem do dia..."

António Botto

17/01/13

© Ryan McGinley | Sigur Rós - Valtari - Varúð, 2012

Era uma vez uma menina cujo coração batia mais rápido que o das outras pessoas.
Isso incomodava toda a gente.
Por causa do barulho.
O coração batia tão alto!...
Ela tentava explicar: «É um coração de pássaro... Eu estou no corpo errado!... Daí o coração bater tão rápido... Eu sou um pássaro...»
(...)
Pouco a pouco as pessoas foram-se habituando ao barulho do coração…
Acabaram mesmo por esquecê-la.
Ninguém se apercebeu do que se passava.
E isso era bom para ela.
Também ela se habituava.
Começou mesmo a gostar do seu corpo
E sentia-se cada vez mais leve
Ninguém reparou como sorria, de olhos postos no céu.
E depois, um dia…
As pessoas já não sabiam se era alguém que morria, ou alguém que nascia.
Mas uma coisa era certa, ninguém se importaria de partir assim.

Regina Pessoa, in História trágica com final feliz

12/11/12

One windy day...

Realização de John Kahrs | Paperman, 2012


"The film, titled Paperman, which will screen with Wreck-It Ralph, is an incredibly charming little film that also showcases a revolutionary animation technique. Told entirely in pantomime, Paperman is slightly reminiscent of the beloved classic The Red Balloon in the seemingly-sentient actions of inanimate objects.
The story concerns an ordinary guy who works at an ordinary job, schlepping himself into and out of the city on one of the daily commuter trains. One windy day, he has an accidental encounter with a nice young lady, who then boards her own train and vanishes out of his life almost as soon as she entered. Saddened by this near brush with what-might-have-been, the man later sits dejectedly at his desk looking at the huge stack of forms the boss has just dropped in his in-box, until he happens to glance out the window and discovers to his surprise that his dream-girl is at that moment sitting near the open window in the building across the street. He waves, to no avail. She hasn’t seen him. Desperate to get her attention, he turns to the stack of paper in front of him, quickly crafting one paper airplane after another and hurling them from the window, hoping to get just one of them across the street and into her hands. What happens next is wonderful, sweet, charming and magical in the best sense of the word." Jim Macquarrie in, Wired


29/08/12

E depois, um dia...



História trágica Com Final Feliz
Era uma vez uma menina cujo coração batia mais rápido que o das outras pessoas.
Isso incomodava toda a gente.
Por causa do barulho.
O coração batia tão alto!...
Ela tentava explicar:
«É um coração de pássaro... Eu estou no corpo errado!... Daí o coração bater tão rápido... Eu sou um pássaro...»
«Que é que ela disse?... é tolinha... não deve durar muito…»
Então, ela fugia...
Ela só queria desaparecer, deixar-se levar pelo vento...
Finalmente, a chuva acalmava-a, então ela voltava p’ra casa e continuava a viver, apesar de tudo.
Pouco a pouco as pessoas foram-se habituando ao barulho do coração…
Acabaram mesmo por esquecê-la.
Ninguém se apercebeu do que se passava.
E isso era bom para ela.
Também ela se habituava.
Começou mesmo a gostar do seu corpo…
E sentia-se cada vez mais leve…
Ninguém reparou como sorria, de olhos postos no céu.
E depois, um dia…
As pessoas já não sabiam se era alguém que morria, ou alguém que nascia.
Mas uma coisa era certa, ninguém se importaria de partir assim.

Regina Pessoa

26/04/12

outra vez os livros



William Joyce, Brandon Oldenburg | 2011

"Inspired in equal measures, by Hurricane Katrina, Buster Keaton, The Wizard of Oz, and a love for books, "Morris Lessmore" is a story of people who devote their lives to books and books who return the favor. The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore is a poignant, humorous allegory about the curative powers of story. Using a variety of techniques (miniatures, computer animation, 2D animation), award-winning author/illustrator William Joyce and Co-director Brandon Oldenburg present a hybrid style of animation that harkens back to silent films and M-G-M Technicolor musicals. "Morris Lessmore" is old-fashioned and cutting edge at the same time.",  aqui

27/03/12

até que a luz

© Juan Pablo Zaramella | Luminaris, 2011

"Até que a luz me trespasse
e dobre o tempo".


Tomas Tranströmer

23/03/12

a fantasia é um lugar onde chove lá dentro*



Pedro Serrazina | 2010


* Italo Calvino,  in seis propostas para o próximo milénio
   [Charles Eliot Norton Poetry Lectures]