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05/03/13

© Maria | Incógnito, 02.03.2013


"O céu tem uma música sempre nova; tu e eu encontrámos a selvagem e assustadora melodia de tempos agitados – Completa-se com o aroma da felicidade sentida, lágrimas agri-doce e o sorriso de uma noite assombrosa." Fernando



Twin Shadow | Confess, 2012

04/03/13

© Maria | Incógnito, 02.03.2013


"como nascer duas vezes."
John Montague

03/03/13

Fernando, 1970

"Contaram-me que ele tinha uma alegria tão grande que não podia agarrar num copo: quebrava-o com a força dos dedos, com a grande força da sua alegria." 

Herberto Helder

22/02/13

© Wim Wenders | Pina, 2011


"O amor junta duas unidades – a Maria João e eu, por exemplo – e faz com que tenham muito mais do que a força de uma só pessoa. Não somos metades. Somos pessoas, cada uma. E quando nos juntamos, porque nos amamos, somos muito mais do que duas pessoas (e muito menos, uma). O amor entre duas pessoas multiplica-as. Os amantes tornam-se uma multidão. O meu amor, a Maria João, salva-me das minhas desgraças por torná-las, por amor, desgraças dela. Não há um meio-caminho. A vida torna-se no que o amor junta."

Miguel Esteves Cardoso, aqui.

14/02/13

© Saul Leiter, 1945

"O meu amor não cabe num poema - há coisas assim,
que não se rendem à geometria deste mundo..."

Maria do Rosário Pedreira

10/02/13

© Frances Mclaughlin-Gill, 1950

Cantar? Longamente cantar.
Uma mulher com quem beber e morrer.

Herberto Helder

07/02/13

07.02.1935 - 09.05.2010

"pode ser um disparate o que faço, mas é de um juízo grande tudo o que fazemos para ir de encontro ao coração quando o coração está certo."
valter hugo mãe

14/01/13

© Wim Wenders | Wings of Desire, 1987


- Algum dia tem de ser a sério. Estava só, mas nunca vivi só. Quando estava com alguém, estava muitas vezes feliz...mas ao mesmo tempo achava tudo fruto do acaso. Nunca brinquei com ninguém e, no entanto, nunca abri os olhos e pensei: - Agora é a sério. Finalmente vai ser a sério.
Nunca fui solitária nem quando estava só nem quando estava com alguém. Mas gostaria de ser finalmente solitária. A solidão significa:«Sou realmente um ser completo». Posso dizê-lo porque hoje sou finalmente solitária. Acabaram os acasos.
Lua-nova da decisão. Não sei se tem significado mas há uma decisão. Decide-te. Nós somos agora o tempo. Nós somos agora mais do que dois. Personificamos algo.
Eu estou pronta. Agora é a tua vez.
Não há história maior que a nossa história: homem e mulher. Será uma história de gigantes. Invisível, transmissível. Os meus olhos são a imagem da necessidade.
A noite passada sonhei... com o meu homem. Só com ele posso ser solitária e abrir-me, inteiramente, totalmente para ele. Deixá-lo entrar totalmente como um todo em mim, cercá-lo com o labirinto da solitária bem-aventurança.

Eu Sei.
És Tu.


Marion in Wings Of Desire

09/01/13

© Edouard Boubat 


Amar é perder-se no tempo,
ser espelho entre espelhos.
Ao que é temporal chamar eterno...
Amar é despenhar-se
cair infindavelmente,
o nosso par
é o nosso abismo...
amar é duplo
e sempre dois
dois é querer continuar o mesmo
e já ser outro, e outra
amar é ter olhos nas pontas dos dedos
tocar no nó em que se enlaçam
quietude e movimento
Quero-te...
A tarde foi a pique
lâmpadas e reflectores
devassam a noite
com palavras de água, chama, ar e terra
inventamos o jardim dos olhares
diante de nós
está o mundo. 

Octavio Paz

08/01/13

© Edouard Boubat 

"(...) é bom estar só, pois a solidão é difícil, mas o facto de uma coisa ser difícil é mais uma razão para que a façamos.

Também amar é bom, pois o amor é difícil. Amor de um ser humano por outro: isso é talvez o mais difícil que nos está destinado, o extremo, a prova e o exame final, a obra para a qual toda as outras são apenas preparação. É por isso que os jovens, novos em todas as coisas, ainda não sabem amar: têm de aprender primeiro. Têm de aprender a amar, com todo o seu ser, com todas as suas forças concentradas no coração que bate inquieto e ansioso. Mas o tempo de aprender é sempre prolongado e fechado, e assim é o amor por muito tempo e pela vida fora; a solidão é para aquele que ama um isolamento intenso e profundo. Amar não é, antes de mais, nada adquirido que se designa por abrir-se, entregar-se e unir-se a outra pessoa (pois o que seria uma união do ainda impreciso, do ainda por ordenar - ?) mas é um ensejo sublime para o indivíduo amadurecer - tornar-se algo dentro de si próprio, tornar-se mundo, mundo para si por amor a outra pessoa, é uma grande e ambiciosa exigência para ele, algo que o torna eleito e o destina à grandeza. Só neste sentido, como obrigação assumida de se trabalharem a si próprios («escutar e martelar noite e dia»), é que os jovens deveriam fazer uso do amor que lhes é oferecido. A perda no outro e a entrega a qualquer espécie de comunhão não é para eles (que ainda terão de poupar e juntar durante muito tempo, muito tempo) - é a finalização, é talvez aquilo para que as vidas quase já não chegam."  


Rainer Maria Rilke,  in Cartas a Jovens Poetas

28/12/12

porque

© Fjorge | Jardim Botânico de Lisboa

"Porque a palavra ajuda-nos a não cair
e o coração ajuda-nos a subir. É diferente."

Gonçalo M. Tavares

22/12/12

nunca

© Brillante Mendoza | Lola, 2009



 "o mundo nunca está completo:
faltam pessoas que nos morreram."

Gonçalo M. Tavares

21/12/12

dádiva matinal

© Andy Warhol | Kiss, 1963

Um beijo
e estas palavras
ao teu ouvido

Bruno Weinhals 
in "Uma Conversa Passa Pelo Papel e outros poemas"

18/12/12

Amour

© Michael Haneke | Amour, 2012



"it was T.S. Eliot who said that «human kind / Cannot bear very much reality», and Haneke dares to give us more than most."  

Jenny McCartney, in The Thelegraph

17/12/12

'un grand poète'

© Denis Manin | Michael Haneke, Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant


Marie-Noëlle Tranchant: - Ce que vous gardez d'Amour?

Jean-Louis Trintignant: - La chance inespérée d'une expérience poétique nouvelle. Parce que Michael Haneke est avant tout un grand poète.

Emmanuelle Riva: - Il me fait penser à ce mot de ­Mozart: «Je cherche les notes qui s'aiment.»


Entrevista de Marie-Noëlle Tranchant in, Le Figaro

Jean-Louis Trintignant

© Michael Haneke | Amour, 2012


Nicolas Schaller - Quelle fut votre réaction en découvrant le scénario d’«Amour» ?


Jean-Louis TrintignantJe l’ai trouvé très beau mais je ne pensais pas accepter. Je me suis dit que c’était un film qui allait embêter les gens. Et puis je craignais que cela me fasse du mal. C’est une histoire de vieux alors ça me touche personnellement. La formidable Margaret Ménégoz [produtora] m’a dit: «Vous avez raison mais si vous ne faites pas le film, vous irez encore plus mal». A cette époque, je pensais beaucoup au suicide. «J’ai plus envie de me suicider que de faire un film», lui ai-je confié, ce à quoi elle m’a répondu : «Faites le film, vous vous suiciderez après ; je vous aiderai si vous voulez» 



Entrevista de Nicolas Schaller, in Le Nouvelle Observateur

AMOUR

© Michael Haneke | Amour, 2012

Na morte, desfazemo-nos: os pedaços do que éramos
Começam a fugir uns dos outros para sempre
Sem ninguém ver. Não é mais que um olvido, é certo:
Já o tivemos antes, mas dessa vez ia acabar,
E combinava-se com um esforço sem igual
Para fazer desabrochar a flor de um milhão de pétalas
Que é estar aqui. Da próxima vez não se pode fingir
Que vai haver algo mais. E estes são os indícios:
Não saber como, não ouvir quem, já não ter
Força para escolher. Pelo ar deles, estão prontos para ir:
Cabelo de palha, mãos de sapo, cara de fruto seco -
                           Como podem não o saber?

Ser velho é talvez ter salas iluminadas
Dentro da cabeça e, lá dentro, gente a representar.
Gente que se conhece, mas cujo nome nos escapa;
Cada vulto responde a uma perda profunda, assomando
A uma porta conhecida, pousando uma vela, sorrindo
Das escadas, tirando um livro da estante; ou por vezes
Se as próprias salas, cadeiras e uma lareira acesa,
O vento no arbusto para lá da janela, ou a débil
Simpatia do sol na parede, num solitário
Fim de tarde de Verão, depois da chuva. É onde eles vivem:
Não aqui e agora, mas onde tudo aconteceu em tempos.
                            Por isso é que eles têm

Um ar de ausência perplexa, tentando estar lá
E contudo estando aqui. É que as salas vão-se afastando,
Deixando para trás um frio inepto e o atrito constante
Do ar respirado, enquanto eles, os velhos tolos,
De cócoras junto ao morro da extinção, não se apercebem
De como está próximo. Deve ser isto que os sossega:
O pico que se observa de onde quer que se vá
Para eles é uma elevação. Será que não adivinham
O que os puxa para trás, e como tudo acabará? Nem à noite?
Nem sequer quando vêm os desconhecidos? Nunca,
Ao longo de toda a horrível infância do avesso? Bom,
                            Havemos de o saber.

Philip Larkin

13/12/12

dar sentido ao caminho

© FJorge | Jardim Botânico, Singapura, 2011



"Quando as árvores em abraço, formam um caminho. No fundo como quando duas pessoas se abraçam dão sentido ao caminho que escolheram." 

Inês Maria Meneses

11/12/12

uma história de amor...

© Manoel de Oliveira | Aniki-Bóbó, 1942

"Depois do genérico, sobre um céu coberto de nuvens, a câmara em Aniki-Bóbó desce subitamente à terra (plano geral do Porto, visto de Vila Nova de Gaia) para contar a história do deslumbrado e terreno amor de Carlitos, menino tímido e sonhador, por Teresinha.
Carlitos tem um rival, Eduardito, um pequeno rufia, atrevido e destemido, líder natural do grupo de miúdos que, findas as aulas, se junta para brincar em ruidosas correrias pelas ruas pobres da Ribeira ou para nadar no rio. Carlitos é doce, reservado e sensível. Eduardito é brigão, valente, seguro de si. E Teresinha, com uma ingenuidade não inteiramente desprovida de alguma inocente perversidade, hesita entre os dois.
O coração de Teresinha parece inclinar-se para Eduardito, mas Carlitos está disposto a conquistá-lo." 

Manuel António Pina, in Aniki-Bóbó [ensaio escrito por encomenda do British Film Institute para a colecção BFI Classics, editado em Portugal pela Assírio & Alvim - livros de cinema, 2012]

enquanto

© Estelle Valente | Gonçalo M Tavares, 09.12.2012
"A conferência que o Gonçalo M. Tavares deu, no domingo, a partir das 15h30 (mais coisa menos coisa), no S. Jorge, é um monumento. Um monumento de brilhantismo, de sagacidade, de intelecto a funcionar. Dei comigo a pensar que uma conferência do Gonçalo M. Tavares por mês faria mais pela prevenção da arterioesclorese e da alzheimer que qualquer porcaria de químicos para derreter a proteína ou lá o que é. Perdi imensas coisas do que ele disse. Porque ainda tentava apanhar o elevador avariado e a importância da avaria na qualidade da nossa existência, quando já ele saltitava sobre o círculo que representa a filosofia e continuamente e sempre à mesma distância, gira à volta daquilo que verdadeiramente importa e é essencial: o amor, o medo, a morte.

Antes porém de encerrar a palestra, Gonçalo M. Tavares trouxe Godard, mas deixou-nos com interrogação da sua própria lavra, absolutamente essencial, para introduzir a urgência, a urgência deste flash que é a vida: «O que vou fazer enquanto não morro?»"